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Janeiro 10, 2017
Logo que foi anunciado o desaparecimento de George Michael (devia ser proibido ir desta para pior aos 53 anos), os juízes do bom gosto, na opinião escrita ou berrada, apressaram-se a sublinhar a distinção entre um cantor de temas "fáceis" e a gravitas de génios como Leonard Cohen, David Bowie ou Prince. Não vou contestar o brilhantismo do trio – cujo belo contributo meteorológico para a paisagem sonora da minha adolescência já aqui descrevi –, mas os misantropos que continuam a encher a boca de desdém com palavras como "fácil" ou "ligeiro" são os que nunca passaram da crítica à práxis, não fazendo portanto a mais pequena ideia do talento necessário para três minutos de "entretenimento".

Em Portugal desconfia-se de coisas mesquinhas como a felicidade, e não há nada como a melancolia para extasiar os intelectos, confundindo-se quase todo o negrume existencial com o rio subterrâneo da arte, quando boa parte desse negrume é apenas a cor que o lixo adquire após oxidado.

George Michael, além do pecado de ser fã de cruising e de sexo com anónimos em WC, cometeu a heresia de compor prodigiosos delírios dançáveis, entre o rap, a bossa nova, o R&B e o boogie-woogie, antes de completar 23 anos, apelando ao mundo para que copulasse com gozo e liberdade enquanto nos punha as ancas a abanar de prazer, culminando com um álbum de intricada filigrana pop, Listen Without Prejudice Vol. 1, onde a soul e o gospel eram convidados de honra (e só tinha acabado de fazer 27 anitos). Pelos vistos, continua a ser difícil ouvir sem preconceitos.
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