Atenção, o Monopólio aqui não entra (vídeo)
Chamam-se boardgamers e gostam de experimentar jogos de tabuleiro modernos. Nada de xadrez e Scrabble
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Chamam-se boardgamers e gostam de experimentar jogos de tabuleiro modernos. Nada de xadrez e Scrabble
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Atenção, o Monopólio aqui não entra (vídeo)
Texto de Sara Capelo, imagem de Joana Mouta e edição de Joana Mouta e Catarina Rodrigues

Esqueça a ideia de entrar no primeiro andar do café Passion Fruit, no centro de Lisboa, com um tabuleiro de “Monopólio” ou “Scrabble”. Tiago Duarte, 35 anos, assegura que não é um radical e alguém que ali surgisse com um destes jogos, considerados mais tradicionais, não seria expulso. Mas...

Mas não é isso que ali se faz. Os membros do Grupo de Boardgamers de Lisboa encontram-se todas as quartas-feiras para experimentar jogos de tabuleiro modernos. São menos comerciais (são vendidos sobretudo em lojas online), mas têm dados, cartas; com eles definem-se estratégias e atacam-se adversários.

Há jogos de guerra (sobre uma mesa está pousado um tabuleiro sobre a guerra do Pacífico), de compra e venda de acções (de empresas ferroviárias mexicanas, por exemplo) ou de destreza. É por aqui que começo. Alexandre Garcia, 34 anos, assegura-me que o “Riff Raff” é um bom jogo para me iniciar neste novo mundo dos “boardgames”.

É um “filler”, diz: “Depois podemos introduzir um jogo mais complexo.” No fundo, existiram duas vertentes: a escola americana onde os jogos estão baseados no factor sorte e são longos e a alemã ou europeia, que são mais curtos e baseados mais na necessidade de tomar decisões do que na sorte.

Em cima da mesa está um barco de madeira sobre o qual tenho de equilibrar peças de plástico como garrafas ou barris e evitar que caia tudo. Se cair, fico com mais peças para tentar equilibrar. Ganha aquele que conseguir gastar todas.

A minha estratégia é colocar as peças mais pesadas o mais longe possível da ponta. Mas o que fazer depois com as mais pequenas? Logo vejo à medida que avanço no jogo, penso. Até que na última peça me arrependo: é um homem azul que não devo colocar sobre a barra, mas antes equilibrá-lo pelo braço dobrado na barra. Confuso? Veja o vídeo e vai perceber.

Este é um jogo de equilibrismo e a minha mão a tremer não ajuda. Mas coloco uma, duas, três peças e não cai. Alexandre tem mais azar e acaba por fazer cair todas. Adivinhou: apesar do meu aparente nervosismo, ganhei.

Este é só um das dezenas de jogos que estão em cima das mesas, em sacos de plástico ou encostados a um canto. Vasco tem 426 jogos, mas não se apelida como coleccionador. “Talvez tu tenhas mais de 400 CD ou livros e não te consideras uma coleccionadora, pois não?” Custam entre 7 e 60 euros e são na maioria comprados online (mas também já existem em algumas lojas nacionais).

Vasco está no grupo desde o seu início a 1 de Setembro de 2006. Na altura eram apenas cinco ou seis pessoas que jogavam em casa (eram aquilo que Vasco chama “gamers de armário”). Agora são muitos mais: por alto contei mais de 40 cabeças que iam trocando de mesa e de adversários à medida que os jogos terminavam.

Tiago Duarte, da organização do grupo, é engenheiro informático, mas também há designers, professores, funcionários públicos ou fisioterapeutas. Muitos vão encontrar-se entre 9 e 10 de Março, em Oeiras, para o quarto encontro de jogos de tabuleiro do distrito de Lisboa, o LisboaCon 2013.

Alexandre, o meu mestre em “Riff Raff” é professor de filosofia e faz jogos como um passatempo e organiza o único concurso nacional de criação de jogos, o Ludopolis.

Já fez dez protótipos e um deles vai ser vendido em Março na Polónia e no Canadá. Recorda-se de em pequeno um dos seus amigos esconder um objecto e passar largos minutos à procura dele pela casa ou o jardim enquanto o seu amigo dizia: “Quente, morno ou frio”? Explicado por uma leiga, como eu, diria que a mecânica é quase a mesma, mas tem cartas com duendes e cada um tem uma pontuação diferente. Quem conseguir mais pontos, ganha, claro.

A lógica do “Pit”, um jogo que tem uma sorridente vaca na caixa, também é divertir. Num canto, um grupo senta-se à volta de Nuno, que explica as regras: todos recebem um conjunto de cartas e o objectivo é ficarem com todas as cartas iguais no final. Para isso vão trocando cartas entre si.

Recorda-se do “Peixinho”, aquele jogo básico de cartas que as crianças aprendem? É isso, mas muito mais complexo e divertido. Na primeira rodada, os participantes devem dizer quantas cartas estão dispostos a trocar e só quando um adversário diz que quer trocar as mesmas, concluem a transacção. Imagine: eu grito que quero três cartas, se alguém disser o mesmo, trocamos.

Mas depois isto torna-se mais complexo: em vez de números, os jogadores passam a gritar notas musicais. Dó se querem trocar uma carta, ré se são duas, mi se são três... E depois mugem: mu, para uma carta; mu-mu para duas. É uma cacofonia.

Quando saio do café, ainda vão na versão das notas musicais. Mas percebo finalmente porque é que na capa do “Pit” está a tal vaca sorridente. São 23 horas e há quem fique até de madrugada a jogar.


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