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Quem é Janeiro, a escolha de Salvador Sobral para o Festival da Canção?

27.09.2017 16:15 por Gonçalo Correia
Henrique Janeiro, 23 anos, foi o compositor escolhido por Salvador Sobral para participar no Festival da Canção 2018. Conheça-o
Foto: Sábado
Foto: Cofina Media

Entre os muitos nomes conhecidos que vão compor temas para o Festival da Canção 2018 - como Capicua, Diogo Piçarra, Fernando Tordo, Jorge Palma, José Cid, JP Simões, Júlio Resende, Tito Paris e Mallu Magalhães (pode consultar aqui toda a lista de compositores convidados) - há um ilustre desconhecido que se destaca. Chama-se Janeiro e foi escolhido por Salvador Sobral, o cantor vencedor do Festival da Canção, primeiro, e do Festival da Eurovisão, depois, para participar.

Henrique Janeiro, de 23 anos, é de Coimbra, estudou Musicologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e é um velho conhecido de Salvador Sobral: os dois já cantaram juntos múltiplas vezes, tendo até gravado um tema juntos, Tereza e Tomás, que surgiu no EP que Janeiro editou em 2015, curiosamente misturado e masterizado por outro músico presente no concurso, Luís Nunes, aka Benjamim. Pode ouvir o disco aqui.



Autor de temas íntimos e poéticos, de tonalidades folk, jazz, fado e bossa-nova - num registo, aliás, com algumas semelhanças com o de Salvador Sobral, mas também com o de António Zambujo, por exemplo - Janeiro tem-se apresentado ao vivo em festivais como o NOS em D'Bandada, no Porto, o Bons Sons, em Cem Soldos (Tomar), e o Vodafone Mexefest, em Lisboa.

Nascido em Coimbra, Henrique Janeiro começou cedo a ouvir música: o rock dos Pink Floyd e de Lou Reed chegou-lhe através do pai, a bossa-nova de Maria Bethânia e Caetano Veloso através da mãe, contou em entrevista à Nova Magazine, revista da Universidade Nova de Lisboa. Seguindo a tradição de família - "da bisavó, da avó, do pai" - o primeiro instrumento que aprendeu a tocar foi o piano, mas o primeiro grande amor foi a guitarra - uma guitarra "Fender Stratocaster, igual à do John Mayer", contou o pai, Francisco, à mesma revista. 

Começou a tocar aos 13 anos, seguiram-se o canto e as primeiras bandas. Ainda em Coimbra, em criança, era nas escadas de sua casa que tocava, porque "era o sítio com melhor acústica", refere ainda a peça. Indeciso entre seguir um curso mais tradicional, como Gestão, Direito ou Medicina, ou dedicar-se à música, Janeiro lá resolveu, com o apoio dos pais, ir para Lisboa tirar Musicologia, ao mesmo tempo que estudava jazz no Hot Clube de Portugal, onde começou a emergir como talentoso músico e intérprete.


Como influências mais recentes, Janeiro cita "a canção popular portuguesa, os acordes do jazz e, às vezes, aquela ginga do fado". Também o rock e o R&B electrónico infundem a sua composição. A poesia e o gosto pela língua portuguesa fazem-no escrever em português - e na hora de escolher referências nacionais, aponta para Samuel Úria, B Fachada e Rui Veloso, para ele "o maior compositor português, sem dúvida alguma". Carlos Tê, que escrevia para o autor de O Prometido é Devido, é outra referência: "São as letras mais bonitas do mundo em português", dizia à Nova Magazine.

Ainda em 2015, Janeiro assumia um desejo: "Quero que as pessoas venham ter comigo com letras e me peçam para fazer canções". Desta vez, ninguém lhe levará letras, mas ele terá mesmo de fazer canções - não para os outros, mas para tentar suceder a Luísa Sobral como o segundo compositor português a vencer o festival da Eurovisão.

Actualmente, Janeiro está a trabalhar no seu primeiro álbum longa duração, que deverá sair no próximo ano, 2018. Recentemente, deu ainda início a um programa online, Janeiro Sessions, que apresenta como "momentos informais onde dois artistas se reúnem numa sala, conversam e tocam dois temas de forma descomprometida". Os convidados, explica o músico, foram "escolhidos pela minha ligação emocional e musical, são artistas que admiro e que são uma referência para mim e me definem enquanto músico e compositor." O primeiro episódio, com Miguel Araújo, pode ser visto abaixo. Seguir-se-ão episódios com artistas como a cantora Ana Bacalhau, dos Deolinda.




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