Portugal reagiu rapidamente à terapia do programa de ajustamento da troika, a qual lhe garantiu o retorno a uma situação financeira mais sustentável e a correcção de desequilíbrios que se prolongavam há décadas. Os custos desta estratégia de ajustamento, nomeadamente em termos de emprego, não são no entanto ainda claros, avalia o Banco de Portugal. Muito dependerá do retorno da economia a taxas de crescimento.
"A crise económica e financeira internacional e a crise da dívida soberana na área do euro que lhe sucedeu tornaram inadiável a correcção dos desequilíbrios macroeconómicos existentes na economia portuguesa, muitos dos quais radicavam em problemas estruturais cuja solução foi sendo sucessivamente adiada ao longo das últimas décadas", lê-se na introdução de um estudo sobre economia portuguesa incluído no relatório do Conselho de Administração do Banco de Portugal publicado quarta-feira.
O banco central defende que o programa da troika, "assinado em Maio de 2011, foi desenhado para corrigir, de forma gradual e ao longo de três anos, os principais desequilíbrios da economia portuguesa" e que os objectivos foram "globalmente cumpridos", embora reconheça que a totalidade dos impactos da crise, nomeadamente no desemprego estrutural, não são ainda claros.
"Durante o processo de ajustamento, os agentes económicos reagiram rapidamente à alteração de incentivos e tomaram decisões consistentes com uma expectativa de queda acentuada e persistente do rendimento da economia portuguesa", avalia o banco central, que diz que "as empresas orientaram de forma crescente a produção de bens e serviços para os mercados externos, com aumento de produtividade nos sectores transaccionáveis" e que "os particulares reduziram significativamente o consumo e aumentaram a taxa de poupança".
Alguns impactos negativos do ajustamento não são no entanto ainda claros, reconhece a instituição liderada por Carlos Costa. Por exemplo, "a não criação líquida de emprego acentuou-se durante o período de ajustamento, em particular nos sectores mais expostos à actividade interna" sendo que "no âmbito da transformação estrutural em curso, é difícil estimar o impacto da reafectação de recursos no desemprego estrutural" da economia, lê-se no documento.
Regressar a um crescimento económico sustentado será decisivo para minimizar os custos dos últimos anos: "Não obstante tais progressos [de reequilíbrio económico conseguidos durante o programa de ajustamento], o regresso da economia portuguesa ao financiamento de mercado em condições de normalidade terá de assentar num crescimento sustentado do produto. Esta é também uma condição necessária para a redução do elevado nível de desemprego prevalecente na economia - que constitui um dos aspectos mais gravosos do processo de ajustamento – e do endividamento", defende o banco central.

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