Preço do gás, do petróleo e de alguns transportes marítimos já aumentaram e para a próxima semana está prevista uma subida dos custos dos combustíveis. No entanto, há também outros setores que podem ser impactados.
Desde que os Estados Unidos e Israel atacaram o Irão, no sábado, que o conflito trouxe impactos mundiais imediatos. O preço do barril de petróleo chegou a atingir esta terça-feira os 85,12 dólares, tendo já subido 8% desde julho de 2024. Para já, o que é quase certo é que o custo da energia em Portugal irá sofrer aumentos, no entanto, há ainda uma questão por responder e que divide especialistas: irá Portugal sofrer uma escassez de petróleo?
Ataque de Israel e EUA no Irão, sem indicação de feridos ou mortosAP Photo
Preço do petróleo e gás dispara. Escassez é incógnita
AoDiário de Notícias, Nuno Ribeiro da Silva, antigo presidente da Endesa, acredita que Portugal não irá sofrer insuficiências nas reservas de petróleo e sublinha que "temos um quadro preocupante, mas não crítico".
Também o ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, afirmou, numa conferência de imprensa em Faro, que "o aumento do preço do petróleo não é uma boa notícia", mas que o País "resiste hoje muito melhor ao aumento do que no passado", isto porque "70% da eletricidade consumida em Portugal tem origem em fontes renováveis".
Quem não concorda com a narrativa de Nuno Ribeiro da Silva é António Nabo Martins, presidente executivo da Associação dos Transitários de Portugal (APAT) que, em entrevista ao Jornal de Negócios, diz que, embora Portugal não esteja tão dependente dos países do Golfo, "vai haver escassez de petróleo no mundo" e que "também vamos sofrer com essa escassez". O mesmo alerta foi dado pelo Banco Central Europeu (BCE) que afirma que, caso esta guerra se prolongue, há o risco de existir uma queda no fornecimento de petróleo e de gás.
O barril de petróleo na Europa entretanto já ultrapassou os 85 dólares e, segundo o Jornal de Negócios, o mercado prevê aumentos que cheguem aos 100 dólares por barril. Também os preços do gás natural na Europa entretanto já dispararam 22%, isto porque uma parte do Gás Natural Liquefeito (GNL) atravessa o Estreito de Ormuz - que se encontra agora encerrado na sequência do conflito.
Combustível volta a subir
No combustível, é provável que haja um aumento dos preços já a partir da próxima semana, segundo a SIC Notícias. No entanto, na opinião do economista da Informação de Mercados Financeiros (IMF), Filipe Garcia, que falou com o Diário de Notícias, não haverá "grandes constrangimentos", isto porque Portugal não importa combustível do Irão, mas sim da Nigéria e dos Estados Unidos.
Subida da inflação
O Banco Central Europeu alertou esta terça-feira para um aumento da taxa de inflação na zona euro, devido à subida dos preços, e o economista-chefe do BCE, Philip Lane, avisou que quanto mais tempo durar o conflito maiores serão os riscos para a economia europeia.
A taxa de inflação acelerou em fevereiro e situa-se atualmente nos 2,1%, segundo a estimativa do Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgada na sexta-feira.
Taxas de juro podem subir
Teoricamente, quando a taxa de inflação regista uma subida acima dos 2% o BCE tende também a subir as taxas de juro. Apesar de haver, por isso, a possibilidade dos juros aumentarem, o banco já recusou mexer nas taxas por causa do conflito no Médio Oriente.
"Seria um erro [o BCE] precipitar-se para decidir um possível caminho de alteração nas taxas de juro", afirmou François Villeroy de Galhau, membro do Banco Central Europeu, citado pelo Diário de Notícias.
Impacto no turismo
Se o turismo já estava caro é provável que, a partir de agora, quem queira viajar tenha mais encargos financeiros.
Com o aumento do custo dos combustíveis é normal que o preço das viagens acompanhe esta subida. E sendo Portugal bastante dependente do turismo, é provável que o território português sofra as consequências.
Preço dos transportes podem agravar
O preço dos combustíveis e do petróleo, que se devem também à alteração das rotas, também podem agravar os preços dos transportes. Segundo o Jornal de Negócios, os armadores (que operam navios de carga) já começaram a comunicar, no final do dia de domingo, novos preços no transporte marítimo - tendo esta nova tabela entrado em vigor na segunda-feira. Houve até armadores a comunicar aumentos entre os 2 mil e os 4 mil euros.
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