Cavaco, o turista conservador
Cavaco Silva é um turista psicocêntrico que desvaloriza a necessidade de conhecer o mundo
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Cavaco, o turista conservador
A imagem de Aníbal Cavaco Silva sedento de aventura a subir a um coqueiro numa praia de São Tomé, há quase 20 anos, já não cola. Não haja dúvidas que hoje, Cavaco Silva é um viajante psicocêntrico. Isso explica o seu apelo aos portugueses esta semana, para irem para fora cá dentro, porque “férias passadas no estrangeiro são importações e aumentam a dívida externa portuguesa”. Cavaco é, de facto, um turista com um perfil definido: é um professor de Finanças Públicas obrigado a viajar mais do que gostaria pelas funções que ocupa, e que deseja que todo o País se divirta, como ele, com férias sossegadinhas à beira mar dentro de fronteiras, porque lá fora há perigos e o maior perigo do viajante hoje é o da balança comercial.
O investigador Stanley Plog passou a ser uma referência para a indústria turística quando, em 1974, dividiu os turistas em psicocêntricos e alocêntricos. Cavaco enquadra-se na primeira categoria: são pessoas tímidas, como o Presidente da República, pouco curiosas, sem atracção pela aventura, que preferem de viajar de carro, com a família, e raramente vão para o estrangeiro. Quando o fazem, adquirem pacotes turísticos e vão para destinos sossegados. Segundo Plog, os viajantes alocêntricos são curiosos, querem explorar o mundo, viver aventuras ou experimentar coisas novas. Não é o caso de Cavaco, que gosta de contar as suas incursões alocêntricas nos parques naturais moçambicanos como expoente da aventura de viagem, mas são recordações com 40 anos, quando lá fez o serviço militar.
As últimas férias de Cavaco Silva fora de Portugal – antes de se candidatar à Presidência da República – foram no Brasil, em 2005, com filhos e netos, num resort tranquilo, perto da praia. De resto, há décadas que a família Cavaco passa os Verões no Algarve, na célebre vivenda Marani e agora na Gaivota Azul, em Albufeira, entre um mergulho nas águas mornas da Praia da Coelha e umas braçadas na piscina de casa. Se quiser ir tomar um cafezinho a Ayamonte, tem de pedir autorização ao Parlamento para sair do território nacional.
Mário Soares acusava Cavaco Silva de não ter mundo. E um político que seja um turista psicocêntrico terá facilmente tendência em desvalorizar que os outros precisem de mundo. Os países também se desenvolvem quando as pessoas abrem os horizontes, mesmo que a dívida aumente um bocadinho.
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