A AD corre sempre mal e o líder do PS nunca será PM
Vítor Matos analisa o desastre histórico das Alianças Democráticas
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A AD corre sempre mal e o líder do PS nunca será PM
Se acreditasse no determinismo histórico, diria que esta AD não vai acabar bem, que António José Seguro nunca será primeiro-ministro, que o PSD vai levar uma sova nas urnas nas próximas eleições e que o PS irá para o poder daqui a uns anos com um líder que soube esperar pelo tempo certo.

Não acredito que a história determine tudo: o mundo é muito mais caótico do que podemos supor e as repetições de padrões são subitamente interrompidas por acontecimentos inesperados. Dito isto, há tendências que se repetem.

Vejamos caso da AD. Esta é a quarta Aliança Democrática entre o PSD e o CDS e nenhuma acabou bem. A primeira, de 1979, ficou órfã de pai quando Sá Carneiro morreu na queda do Cessna em 1981; a seguir, esfarelou-se até finais de 1982 na gestão política de Pinto Balsemão e na demissão irracional de Freitas do Amaral depois de umas autárquicas.

Na segunda AD, de 1999, Marcelo Rebelo de Sousa reabilitou Paulo Portas para o centro-direita, mas a coligação ruiu três meses antes das eleições europeias, numa entrevista televisiva de Portas. Marcelo caiu, Paulo ficou.

Na terceira, de 2002, Durão Barroso e Paulo Portas entenderam-se e foram leais um ao outro. Tudo corria mais ou menos bem até Barroso se pirar para Bruxelas. A seguir, com Pedro Santana Lopes, foi o desastre que se conhece, até o próprio presidente Jorge Sampaio dissolver a Assembleia.

Se esta nova coligação entre Pedro Passos Coelho e Paulo Portas acabar com desfecho positivo seria uma surpresa. Os factores de risco são muitos: os dois partidos vão ter de implementar o mais duro e difícil programa de sempre para um Governo em Portugal. Se cumprirem o memorando da troika e acabarem a legislatura vão chegar a 2015 com uma impopularidade nunca vista. Mas se não cumprirem o programa e a crise se acentuar, até podem nem cumprir os quatro anos de Governo. É uma daquelas situações de “loose-loose” sem saída.

No PS, o próximo secretário-geral não deve conseguir chegar às legislativas. Nem António José Seguro nem Francisco Assis serão primeiros-ministros. Nunca um líder eleito a seguir à perda de poder do seu partido chegou a São Bento. Caso contrário, António Costa teria avançado para a liderança.

Há uma hipótese, porém, de o próximo secretário-geral do PS ser o primeiro “líder para queimar” a chegar ao poder: isso acontecerá se a AD correr mesmo muito mal. Mas esse cenário seria um desastre para Portugal.
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