Morreu a pianista Nella Maissa
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Morreu a pianista Nella Maissa
Já não via, ouvia ou conseguia sequer que os seus dedos obedecessem para tocar as teclas do piano. Mas, apesar disso, continuava a adorar falar de música - coisa que fazia diariamente, além do hábito de ouvir rádio, revelou numa entrevista ao jornal 'i' no início deste ano. Nella Maissa, residente no quarto 219 da Casa do Artista, nasceu em Turim a 7 de Maio de 1914, filha de um engenheiro e de uma dona de casa. Fez um curso de Direito mas nunca pensou em exercer, aquilo que queria mesmo era dedicar-se à música. Acabou por fazer carreira de pianista, porque desde pequena sempre houve pianos na sua casa. A sua mãe cantava de vez em quando.

Começou a tocar com apenas cinco anos. "Tem de se começar cedo senão os dedos ficam rijos", disse ao 'i' em Fevereiro. Quando entrou para a escola, ia às aulas de manhã e estudava piano à tarde. A primeira vez que tocou em público foi aos 18 anos, candidatou-se a um concurso em Varsóvia. "Acho que toquei muito mal", contou à Lusa numa entrevista em 2008.

Fez primeiro todos os estudos do piano, e os exames no conservatório, e só a seguir entrou no liceu e foi tirar Direito para a universidade. Casaria cedo, aos 22 anos, com um português, Renato Maissa - que acabou por morrer muito novo, ainda na década de 50, com um cancro no intestino.

Foi por causa do marido que veio para Portugal, em 1939, no início da Segunda Guerra Mundial. Nessa altura, esteve dois anos sem tocar piano porque o mobiliário do casal demorou todo esse tempo a chegar. Primeiro, estiveram no Hotel Tivoli e só depois se mudaram para a sua primeira casa, na Rua Fialho Gouveia.

Em Portugal, a pinanista de sotaque italiano - que manteve até morrer - arranjou emprego na Emissora Nacional e foi aí que entrou no meio e conheceu todos os grandes nomes da música, como os compositores Armando José Fernandes e Fernando Lopes-Graça. Foi também nessa altura que ganhou o hábito de dar recitais só de música portuguesa e isso tornou-se quase a sua imagem de marca.

"Não foi muito prudente porque as pessoas não gostam, o que apreciam são Nocturnos de Chopin e Sonatas de Beethoven, coisas conhecidas. Teria feito mais carreira se tivesse optado por outro tipo de repertório", disse à Lusa.

Tocaria pela última vez em 2008, num concerto na Casa da Música, no Porto. Continuou a ter um piano no seu quarto, na Casa do Artista, onde passou os cinco últimos anos de vida. Mas já não tocava, os sentidos não lhe permitiam. Contudo, guardou sempre os ingredientes que fizeram dela uma grande pianista: vontade, paciência, amor e disciplina.

"O piano era a minha vida", disse na última grande entrevista que deu. Nella Maissa morreu esta madrugada, tinha 100 anos.

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