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Entrevista

Carlos de Matos: De clandestino a milionário (vídeo)

21-09-2014

Foi moço de recados e operário numa fábrica de vidro, dormiu em bairros de lata e bancos de jardim. Uma máquina avariada lançou Carlos de Matos no mundo dos negócios

Por Tiago Carrasco

Carlos de Matos queria por tudo deixar Paris. O português, então com 18 anos, tinha entrado clandestinamente em França com um amigo da sua aldeia (Carvide, na região de Leiria), mas deambulava há 48 horas por Draveil, um subúrbio a sul da capital francesa, numa busca frustrada pelo carro de um emigrante ali instalado que lhes prometera cama e roupa lavada. Cansado de dormir em bancos de jardim, entrou num autocarro para ir para a estação, onde apanharia um comboio rumo a Portugal. Tinha o dinheiro contado para a viagem, uns 500 escudos (hoje 100 euros em valores actualizados) que pedira a uma tia, em notas grandes. Mas o motorista não tinha troco.

Assim que saíu do autocarro para trocar a nota, avistou um carro familiar: era o emigrante de Carvide. Já não voltou. Foi em 1969 e por causa deste truque do destino ficou em Paris, onde ainda vive. Começou como electricista e acabou por se tornar no principal investidor de um mega-centro de negócios para os chineses em França. “Se o motorista daquele autocarro tivesse moedas, a minha vida teria sido completamente diferente”, diz o empresário à SÁBADO.

A vida de Carlos só o deixou ser criança até aos 9 anos, altura em que começou a trabalhar. Foi moço de recados do hotel/restaurante Cozinha Portuguesa, em Monte Real. Usava uma farda vermelha com botões dourados, adornada por uma boina redonda, e passava o dia a levar águas termais e jornais aos clientes – ganhava pequenas gorjetas. “Um dia, carreguei as malas de uma família rica, com uma filhota da minha idade. A menina engraçou comigo e começámos a brincar, até que os pais a afastaram. Foi a primeira vez que percebi que as elites não aceitam bem quem vem de baixo”.

Antes dos fretes, o sonho de Carlos, o mais velho de cinco irmãos e uma irmã, era ser piloto de aviões. Crescera junto à pista de Monte Real e esbugalhava os olhos sempre que um avião descolava ou que passava por um piloto fardado. Estudou até ao 6.o ano, mas um recorde de faltas injustificadas nos primeiros três meses levou a que os pais fossem chamados pelo director e decidissem retirá-lo da escola comercial de Leiria.

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