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Entrevista

Frei Bento Domingues: “No meu quarto, só tenho um espacinho para ir até à cama e ao computador”

17-09-2014

Há quem diga que é um dos maiores teólogos do País. Desde 1992 que assina no 'Público' uma crónica incómoda sobre religião. Tem 80 anos e é frade dominicano. Vai ser homenageado no dia 19 de Setembro na Gulbenkian 

Por Rita Garcia, com imagem e fotografia de Alexandre Azevedo e edição de Daniel Pousada

Começa a conversa com uma provocação: “Sabes o que são estas entrevistas? Missa de corpo presente.” Chama-se Basílio Domingues, mas desde 1953 que todos o conhecem por Frei Bento. Diz que foi nos dominicanos que aprendeu a ser democrata. Escondeu clandestinos, apoiou presos políticos, afrontou a PIDE e esteve fora do País. Foi amigo de Sá Carneiro e Sottomayor Cardia, mas nunca quis ser político. Diz que a sua maior obra foi a teologia com os povos de África e da América Latina e que não pode passar sem dizer o que pensa.

Nasceu em Terras do Bouro. Como era a vida da sua família?

Nasci em Travassos, lugarejo acima da Geira. Lá eram todos agricultores, os meus pais também. O meu pai sabia ler, mas teve de aprender longe.
É o mais velho dos seus irmãos?
Tinha um irmão muito mais velho que já morreu, e outro que é o frei Bernardo [também dominicano], vive no Porto. Tinha uma irmã que morreu aos 15 anos e há três irmãos mais novos: o José, um irmão adoptivo e uma irmã que teve 12 filhos.
Em miúdo admirava-se que ainda ninguém tivesse tocado o céu.
Isso são coisas das montanhas.
Esticava-se para lá chegar?
Sim, numa aldeia cada miúdo tem as suas manias. Para mim, o problema era a escola. Adorava ir, mas fazíamos 4 km para cada lado, descalços, chovesse ou fizesse sol.
Não havia sapatos?
Havia, mas até os adultos os levavam às costas para as romarias para não os gastar. Havia socos e chancas, e, na vida normal, os sapatos que Deus nos deu [os pés]. Não tínhamos fome, porque era uma agricultura de subsistência, mas não havia dinheiro para nada. A escola era importante: aprendia-se uma nova língua. A linguagem local parecia um dialecto.

Leia a entrevista completa na SÁBADO que chega às bancas no dia 18 de Setembro. 


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