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“Fizemos barricadas. Se invadissem, íamos defender-nos”

01-09-2014

Fundou o CDS, é presidente da câmara de Sintra pelo PS e reclama do Fundo de Apoio Municipal agora criado. Conta como foi a defesa do Palácio de Cristal e a discussão de Soares por causa das gravatas Givenchy

Por Sara Capelo, montagem de André Oliveira

Na garagem da moradia de Cascais, que herdou do pai, Basílio Horta tem dois carros – um deles um Triumph TR6 de colecção – e duas bicicletas. Costuma usar uma delas para fazer BTT pela serra de Sintra. A outra está reservada ao neto mais velho, de 12 anos. Quando pode também faz bodyboard, “mas com mais calma”. As 12 horas de trabalho na câmara de Sintra, que ganhou como independente pelo PS há quase um ano, não lhe deixam muito tempo livre e já nem sai para dançar com a mulher. Por agora, diz, “está a pôr a casa em dia” e só reclama por ter de pagar a quem não a tem assim, para o Fundo de Apoio Municipal [FAM] agora criado. E tudo poderia ter sido diferente logo à nascença.

Nasceu com 5 quilos no Hospital Militar há quase 71 anos. Se o seu pai não o tivesse salvado de uma asfixia, não estaríamos aqui.
O meu pai era capitão ou tenente. Nasci com o cordão enrolado ao pescoço e se não fosse ele tinha morrido. Não sei se se perdia alguma coisa [gargalhada].
Era um homem muito rígido. Fez questão que andasse no Colégio Militar e tivesse as melhores notas, o que não aconteceu.
Fui um aluno entre o suficiente menos e o medíocre mais.
Porque não tinha vontade de seguir a vida militar?
Não, não tinha. O meu pai nunca foi ríspido. Era um homem rígido. Eu era filho único do segundo casamento dele. Não nos dávamos com os [meus] irmãos. Ele foi mobilizado para os Açores e fiquei sozinho no colégio porque a minha avó estava em Ponte de Sor. Tinha 9 anos. Foi muito duro. Era raro o fim-de-semana em que saía, porque estava sempre punido.
Os seus colegas descrevem-no como um bonacheirão, o que não era o ideal numa parada. E andava desfraldado.
Aquela disciplina militar não me calhava bem. Tanto é assim que, quando vou para o liceu Camões, sou um dos melhores alunos. No 7º ano tive uma média de 17. E na faculdade formei-me com quase 15 valores, o que era muito bom. Agora naqueles cinco anos do colégio... havia o filme Os Inadaptados, com Clark Gable e a Marilyn Monroe, e eu era um inadaptado. O meu irmão Ricardo [Bayão Horta, antigo ministro da Indústria e da Defesa]...
...era o exemplo no Colégio.
Sim, foi um dos melhores alunos de sempre. Saiu quando eu entrei. Ele dizia-me: “Ao entrar no colégio, pendura a personalidade num cabide e só volta a vesti-la quando sair.” Eu tinha 9 anos, custou-me e ainda me custa fazer isso.

Leia a entrevista, na íntegra, na revista de 28 de Agosto. E veja aqui o vídeo com as histórias de fotos antigas.

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