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Entrevista na Redacção

José Rodrigues dos Santos apresenta novo livro

19-10-2011

Por Jaime Martins Alberto. Imagem de Bruno Vaz e Joana Mouta

Poucos minutos antes de chegar à SÁBADO, José Rodrigues dos Santos passou pelo cabeleireiro Marina Cruz para acertar o cabelo e as patilhas. Quando entrou na redacção, por volta das 15h, estava impecável no seu fato azul-escuro – como se fosse apresentar mais um Telejornal na RTP.

Primeiro pedido, quando se sentou no centro da sala: “Posso conhecer os leitores?” O jornalista/autor referia-se aos seis vencedores da iniciativa da SÁBADO – dezenas de fãs enviaram as respostas a três questões sobre o escritor publicadas nas últimas edições da revista. Os leitores estavam em pé junto à porta, ansiosos por conhecê-lo e sem perceberem porque é que José Rodrigues dos Santos tinha acabado de passar sem lhes dizer nada.

“Muito prazer. Mas estas perguntas da revista não eram nada difíceis, hein? Em que televisão é que eu trabalho?”, pergunta José Rodrigues dos Santos. Todos se riem.

Faz toda a pesquisa para os seus romances?
Sim, sou eu que faço tudo. O Miguel Sousa Tavares, por exemplo, contrata pessoas para fazerem a pesquisa. Eu não acredito nesse sistema. Quando nós estamos a investigar descobrimos coisas em que não tínhamos pensado e que depois se tornam relevantes para o livro. Quando fiz a investigação para 'A Filha do Capitão', fui para o arquivo histórico militar à procura de relatórios antes do 9 de Abril de 1918, quando os alemães atacaram a frente portuguesa. Por acaso encontrei as listas com os preçários dos produtos que eles vendiam na cantina geral do Corpo Expedicionário Português. Vi lá o vinho, o Bucelas, as bolachas Maria... Peguei naquele material e fiz novos capítulos com isso.

Como é que lida com os erros históricos nas suas obras?
Por definição, não há erros históricos em romances. É ficção. Mesmo que o autor se engane, é ficção. Mas faço sempre um aviso nos romances: “A informação que aqui está é verdadeira; a narrativa e a intriga são ficção.” Há um contrato com o leitor e essa parte não é ficcional. Nesse caso, se aquilo não é assim, então cai no erro. Já tive um leitor que protestou porque eu num romance pus uma codorniz a chilrear num sítio qualquer. Ele dizia que, naquela época do ano, estas aves faziam migração por isso não podiam estar lá.

Como é que escolhe os temas dos livros?
Eles é que nos escolhem a nós. Há um dia qualquer em que estamos num sítio e temos uma ideia. O 'Sétimo Selo', que é sobre o fim do petróleo, surgiu durante uma conversa na cantina da RTP com a Judite de Sousa e a Márcia Rodrigues [jornalistas]. N’'A Fúria Divina', que é sobre o fundamentalismo islâmico, eu estava no Paquistão a cobrir as eleições quando tive a ideia no corredor do hotel: e se a Al-Qaeda tem a bomba atómica? Era uma coisa que estava na minha mente nessa altura. Eh pá, isto é uma boa ideia para um romance. Mas o mais importante não é a ideia em si, é a forma como vamos trabalhar a ideia. 
 
Carregue na foto seguinte para continuar a ler e ver o vídeo da conversa com os leitores.

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