Você está em: Homepage / Opinião / José Pacheco Pereira / O homem que mata a mosca

Opinião

Alterar tamanho de letra

José Pacheco Pereira

O homem que mata a mosca




O gesto de Obama a matar a mosca é autêntico e, no mais absoluto sentido, normal. Milhões de homens o fariam, dos açougues de Bagdad aos cafés de Buenos Aires. Talvez nem tantos o fizessem no Tour d’ Argent ou num clube de gentlemen de Londres, como os que o nosso bom João Carlos Espada frequenta, mas atravesse-se o bairro e entre-se num pub e lá vai mosca para o seu destino Obama. Não se pode por isso criticar Obama por se mostrar mais genuinamente um homem comum do que quando vai comer hamburgers em campanha eleitoral e não leva dinheiro, o que é apanágio dos presidentes.
Uma coisa é igualmente certa, e essa também seria normal cá mais para o nosso lado do mundo, o homem não teve nojo. Lá dirão os racistas, “vê-se logo que é preto”. Mas não teve, a mosca levou com a mais primordial irritação e caiu-lhe a morte em cima. Ninguém a vai chorar, a não ser outras moscas, mas as lágrimas não comovem ninguém. Obama é o príncipe do mundo, o “senhor das moscas” e os insectos como a mosca tem a pior das imagens do mundo e a pior imprensa. São o anti-Obama. Não há agência de comunicação capaz de salvar as moscas da sua péssima imagem, ou haverá? Sei lá, já vi tantos porcos a voar que não é impossível.
Mas permaneçamos colados aos factos e ao gesto presidencial. Em matéria de moscas, há três escolas de pensamento, ou, noutra forma, três maneiras de ver, uma espécie de maneira portuguesa de raciocinar muito comum entre os juristas e de que Freitas do Amaral e Marques Mendes tinham muito o hábito. Numa, Obama trata a mosca como trata os republicanos; noutra, ele trata a mosca como não trata os norte-coreanos. E a terceira, fica sempre esquecida, pelo que não conta para o caso vertente.
Ora, é isto que a história da mosca esconde ou distrai. O que é que Obama está a fazer para travar a escalada nuclear norte-coerana? Nada ou quase nada. O que é que Obama está a fazer para travar a escalada nuclear iraniana? Nada ou quase nada. E isso é que me preocupa, porque nestas matérias quem faz o papel de mosca somos todos nós.


Comentários

24 de Junho 2009 - 20:11

angelo ochoa

Indignem-se embora os laicos das esperanças-Obama, que ele mata mesmo mosca, que nem Dum-Dum... Ou esperavam-no, os de Assis-América lá do sítio, ou os das Moscas-Europa, um Franciscozinho pobre, arrancado a História e lenda, e tímido até de pôr pé sobre formiguinha? O que, para o caso, como releva J.P.P., tanto bonda: Que problemas há aqui E AGORA demais, e irresolvidos, a nos importunarem que nem insectos voadores do nojo.






A Seriedade do Animal

/A Seriedade do Animal

A peça Baal, de Bertolt Brecht, é o ponto de partida deste processo criativo. O texto está presente de forma muda ao longo da peça, onde cada intérprete representa personagens específicas em tempos determinados, como se estivessem num palco surdo, capaz de acolher tanto um gesto dramático ou uma massa abstracta, um gesto artificial ou necessário.

Ler

No bairro de Frank Lloyd Wright

/No bairro de Frank Lloyd Wright

Nos subúrbios de Chicago há uma zona que se transformou em local de romaria para quem gosta de arquitectura. O Oak Park concentra em poucos quarteirões várias casas de Lloyd Wright. Por Catarina Serra Lopes

Ler

Ecolodge Lapa Rios

/Ecolodge Lapa Rios

O ecolodge Lapa Rios é o melhor de toda a América Central. Passar uns dias aqui é como estar dentro de um filme da National Geographic, mas com o máximo requinte. Texto de Frederico Kuhl de Oliveira

Ler

Limoncello

/Limoncello

Em frente ao Teatro da Trindade e a dois minutos do Bairro Alto, é o restaurante ideal para um jantar com os amigos numa noite de programa

Ler

Marisqueira Ribas

/Marisqueira Ribas

O preço do marisco vivo (o único que interessa) tem vindo a descer por causa da crise. Para mais, a quantidade e qualidade têm aumentado

Ler

Doces para os dias frios

/Doces para os dias frios

Combinam cada vez mais contrastes de textura e paladar dos ingredientes. E os sabores são variados: dos silvestres aos citrinos, e combinações surpreendentes até com pétalas de flores

Ler

Outono põe caça à mesa

/Outono põe caça à mesa

Há segredos da cozinha gourmet que ganham outra visibilidade no Outono. Pastas e terrinas à base de caça são um desses capítulos reservados aos iniciados

Ler

Tetro

/Tetro

Bennie (Alden Ehrenreich) aparece de surpresa em casa do meio-irmão mais velho (Vincent Gallo), que decidiu chamar-se Tetro e vive em Buenos Aires com Miranda (Maribel Verdú), médica.

Ler

A última vez que te vi Paris

/A última vez que te vi Paris

Do segundo encontro de Brooks (Sementes de Violência, Lord Jim, Os Profissionais) com Elizabeth Taylor nasceu um filme memorável: Gata em Telhado de Zinco Quente.

Ler

Peso bem certo

/Peso bem certo

As balanças analógicas só servem para os adeptos do design rétro. As digitais são a regra. Algumas são tão inteligentes que até pesam a estrutura óssea.

Ler

Relógios sob pressão

/Relógios sob pressão

As braceletes são anatómicas, as caixas em aço inoxidável e o vidro de safira. Resistem ao impacto e à pressão do mergulho – até 600 metros de profundidade

Ler

Asus Eee Top

/Asus Eee Top

O recente Asus Eee Top é uma espécie de computador tudo-em-um. Combina a alta definição do ecrã táctil de 22 polegadas e o leitor de Blu-ray com os atributos multimédia do Windows 7. Texto de Ricardo Lopes

Ler

Nintendo DSi XL

/Nintendo DSi XL

A Nintendo lançou a nova consola portátil de luxo DSi XL que junta conforto e diversão. Com dois ecrãs de 4,2 polegadas, 93 por cento maiores do que o ecrã da Nintendo DS Lite, e um maior ângulo de visão, a nova XL torna a experiência de jogo mais social do que nunca. Texto de Nuno Paixão Louro

Ler

Hyundai ix35

/Hyundai ix35

O ix35 é o novo modelo da sul-coreana Hyundai. Desenhado na Alemanha e produzido na República Checa, alia a originalidade da forma a uma boa habitabilidade e o conforto à facilidade de utilização. Texto de Rui Faria.

Ler

Cayenne Diesel

/Cayenne Diesel

Num mundo que luta pela redução do consumo de combustíveis fósseis e pela diminuição de emissões poluentes, a Porsche lançou o primeiro veículo a gasóleo. Tem o motor do VW Touareg, o que, para os devotos da marca, é uma heresia. Para os outros, é um sinal dos tempos. Texto de Rui Faria

Ler

Copyright ©. Todos os direitos reservados. É expressamente proíbida a reprodução na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte, sem prévia permissão por escrito da Edirevistas, S.A. , uma empresa Cofina Media, SGPS. Consulte as condições legais de utilização.