José Pacheco Pereira
Governo fascista é a morte do artista
O primeiro-ministro anda a pedi-las, porque quem anda de comício a comício, chamando-lhe anúncio ou inauguração ou entrega de diplomas, ou a dar “Magalhães”, sempre a fazer de conta que não está em comício, arrisca-se a que o tomem à letra e lhe respondam, com outro comício. Quando José Sócrates foi à Escola António Arroio meteu-se com uma força que domina a televisão muito melhor do que ele e os seus assessores e agências de publicidade todas juntas, os “artistas”. Poucas forças são mais “mediáticas” do que os “artistas”, ainda por cima a fazer o tirocínio para o subsídio. Sem subsídio é a “morte do artista” é o que tudo aquilo quer dizer.
Têm tudo seu favor, a apologia acéfala da juventude “irreverente” e o facto de que, sendo “criadores”, ninguém se atreve a contestar-lhe a “arte”. E no entanto, a confusão que vai por aquelas cabeças de “artistas” não diz muito sobre o ensino da dita escola. Há de tudo misturado, há fascistas e anti-fascistas, anarquistas e bloquistas, pcês e “artistas”. Têm toda a esperança do mundo porque são “artistas”, o que é sempre bonito de se ver, mas está longe de ser uma garantia de sanidade pública.
Há-os de todos os sabores. Os “artistas” a favor das obras, dizem que são “futuristas” e repetem uma variante de Marinetti para dummies que cá é traduzido por “totós”. Marinetti era fascista, eles são a favor das obras, cujo “autor” Sócrates passeia lá por dentro no meio das vaias. Outros tem uns papelinhos a dizer “fascistas” nas mãos que apontam à “ilustre comitiva ministerial”, como se dizia antigamente. Esses devem ser anti-fascistas, mas também é um antifascismo para dummies. Na verdade pensar que Sócrates merece ser chamado de fascista até é um elogio, dá a entender que ele é alguma coisa que termine em ista, e que vem de uma coisa que termina em ismo. Fascista, comunista, socialista, alguma coisa que implique um conjunto ordenado de posições, isso não é com ele, nem com a sua geração. Há demasiado ensino a martelo, demasiadas juventudes partidárias, demasiada carreira intra-partidária, demasiado yuppismo (bom, neste caso é um ismo...) para ser alguma coisa de ideológico.
Sócrates a quem este “momento Chávez” correu mal, saiu pela porta dos fundos ás pressas porque não é muito da escola de Mário Soares e não confronta as situações, logo perde-as sempre. Soares que foi mais feito pela vida do que pela propaganda era, para adoptar a peculiar linguagem “artística” da Escola António Arrioio, “coragista”, tinha “coragismo”. Sócrates é “marketista”, tem “marketismo”. Espero que da próxima vez que for à escola António Arroio, os “artistas” da casa em vez de lhe chamar “fascista” que é uma asneira e um abuso, lhe chamem “marketista” que é uma verdade como um punho. Como aquele que havia no símbolo do PS antes da rosa.