Os franceses querem saber quem são hoje e tiveram a veleidade de criar uma comissão, uma atitude muito francesa, para “estudar formas de medir a composição étnica do país”. Basta passear pelas ruas de Marselha para perceber que as francesas hoje andam de véu e os franceses ajoelham-se nas ruas ao fim da tarde para rezar em árabe. Os franceses antigos de boina, gauloise e baguete, ou seja, os franceses que já não há, têm vindo a ser acusados de manter na França uma espécie de “apartheid” e de serem “visceralmente racistas”.

O autor destas acusações é o actual Comissário para a Igualdade de Oportunidades, Yazid Sabeg, um francês-arabe, que quer lutar contra a discriminação e por isso, presume-se, precisa de saber quem são os discriminados. Mas a tarefa é sumamente complicada e duvido que chegue a bom termo, porque colide com o velho ideal republicano, mas pouco multiculturalista, de que em França há franceses. Ponto final.
Trivialidades
A bloguização da comunicação social, ou pior a sua “twiterização”, continua com sucessivas distracções como seja a cena das cadeiras entre o ministro e uma jornalista. Esta é uma típica matéria de blogue, e devia ser pouco mais do que uma nota avulsa na comunicação social. Com o ministro Rui Pereira, o importante é a situação da segurança interna, os números da criminalidade, não os bons costumes protocolares. Embora, também me pareça que não custava nada à jornalista, caso o ministro o pedisse com bons modos, ceder a cadeira. Na verdade, ministro e jornalista numa visita a um país estrangeiro, não são a mesma coisa, mesmo num almoço informal.
Não é que o incidente não seja significativo, não é que não revele má educação ou pior ainda, uma empáfia de Estado acima do normal, o que sucede é que não é importante.
Mais trivialidades
Como também não é mais do que incidente, a cena de palavrões no Parlamento.
Mas a verdade, é que ela fez mais por José Eduardo Martins do que anos de Secretaria de Estado e de deputado. Na verdade, como há muito o digo, na assembleia da República mais vale contar uma anedota ou dizer uma graça, do que expor um argumento sério. Primeiro, porque um argumento tem que ter pelo menos três frases e isso não cabe num soundbite do telejornal; depois, porque no clima de engraçadismo espectacular em que se vive, o incidente jocoso ou escatológico, vale muito mais em termos de audiências. Por isso, meus amigos, mandem alguém para o c... diante dos jornalistas, que garantem “perfis” simpáticos e quinze minutos de fama durante um mês. E se tiverem o microfone aberto, tanto melhor. Estamos assim, não há volta a dar.