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Opinião

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José Pacheco Pereira

A propaganda do Governo

“COM TUDO A ANDAR A ALTA VELOCIDADE AS NOVAS GERAÇÕES JÁ NEM VÃO PARAR PARA APRECIAR AS COISAS BOAS DA VIDA , COMO CHEIRAR UMA FLOR”
 
O papel da propaganda neste governo não é novo. Este vosso autor fala disso desde 2006, quando ainda o vento em popa enfunava as velas do barco de Sócrates e pouco se falava. Os arquivos da Sábado revelam-no a seu tempo e no seu tempo. Já então se começava a perceber o papel dos anúncios de obras que eram demasiados bons para serem verdade. Tudo começou com os aviõezinhos da Ota a levantar e, em vez de aves, chocarem com uma recusa que começou a levantar suspeitas: ninguém queria divulgar os estudos. Foi aí que tudo começou, até hoje.
               
Hoje, repito-me de novo, porque a realidade só se agravou, o governo e o Primeiro-ministro andam numa corrida a fazer sessões de propaganda para os telejornais e os telejornais com destaque para a RTP, abrem-lhe as portas escancaradas perante o silêncio da ERC. Ninguém ficou para trás a governar o país, no meio de uma crise de grande gravidade. Confesso que não encontro precedente depois do 25 de Abril de tanta propaganda eleitoral descarada de governação, perante a complacência de todas as instituições que deviam actuar. Só Presidente da República parece notar o que se passa.
               
Mas a coisa roça a ilegalidade e o abuso do dinheiro dos contribuintes quando se vê distribuída nos jornais uma brochura propagandística da RAVE, uma empresa pública, apoiada pelo Ministério das Obras Públicas e outras empresas públicas como a REFER. Este é um dos casos em que se houvesse justiça o senhor Ministro e a sua Secretaria de Estado e os administradores da RAVE e da REFER deviam pagar do seu bolso os custos da brochura e da sua distribuição e uma multa avultada por viciação do acto eleitoral.

               
Esta brochura, aliás péssima do ponto de vista gráfico é um panfleto de propaganda eleitoral do PS sem ambiguidades, em defesa do projecto do TGV, respondendo às objecções da oposição no meio de muita patetice. Ela é um puro exercício político pago com dinheiros públicos, que o governo e o PS disfarçam usando a RAVE.
 
O estilo, que algum “agente de comunicação” propõs, é uma ridicula série de perguntas e respostas , muitas directamente relacionadas com críticas políticas ao TGV de que eu gostava de saber porque razão são matéria para a RAVE se pronunciar, a não ser que se admita que os seus gestores são meros funcionários políticos do PS. Vejam-se as perguntas e o engraçadinho das respostas.

 
“Cheirar uma flor?” Mas estão a gozar connosco?
 

 
“Ponham os olhos no Real Madrid!”. Mas estão a gozar connosco?
 
Não, não estão. Estão a fazer uma coisa mais séria estão a manipular-nos para votarmos no PS. E o dinheiro que paga essa manipulação é dos seus (meus) impostos. Espero bem que se o governo cair e não for o PS a governar estes responsáveis da RAVE façam o que deve fazer todo o funcionário político nas empresas públicas, demitir-se.


Comentários

9 de Setembro 2009 - 10:24

Pedro Monjardino

Concordo com o artigo.

9 de Setembro 2009 - 10:21

Pedro Monjardino

Concordo com o artigo.

9 de Setembro 2009 - 10:20

Pedro Monjardino

Enquanto os politicos não se debrucarem sobre a alteração do sistema de governo, sobre o sistema eleitoral e sobre a reforma da administração publica, nada de novo em termos politicos se passará em Portugal e nenhum actor politico estará a ser inovador. Tudo o resto é conversa.






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