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Opinião

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José Pacheco Pereira

A Grécia e o financiamento da Europa

Os defensores do Tratado de Lisboa consideravam que, mal ele entrasse em vigor, a Europa navegaria num mar de rosas. Não foi o que aconteceu, nem será o que vai acontecer. Tenho de há muito a opinião que os problemas de fundo da construção europeia têm origem num ciclo de refluxo da vontade política de a construir, em grande parte resultado das dificuldades do alargamento e, num sentido mais lato, da perda de poder e influência europeia, resultado de um certo declínio económico e político, assim como da insustentabilidade do chamado “modelo social europeu”. As últimas medidas realmente de fundo da Europa unida, uma foi exclusivamente alemã, e dentro da Alemanha obra de um homem, Kohl, e do seu partido, que estiveram dispostos a pagar o enorme preço que para a geração presente de alemães significava a absorção da antiga RDA; a outra foi o euro, uma medida eficaz de adaptação à globalização. Tudo o resto foi um jogo de erros, em particular, a sistemática fuga em frente aos problemas através da tentativa de um upgrade político que nos deu a falhada Constituição e o ambíguo Tratado de Lisboa.


O problema desse ilusório upgrade político é que ele não corresponde nem à vontade dos povos, nem à dos governos, em particular quando ele mexe com o problema que há muito empanca a Europa: o dinheiro e poder, duas faces da mesma moeda. E é por isso que do mesmo modo que os franceses bloquearam a reforma da PAC e impuseram à agricultura da Polónia condições de desigualdade com a França, os alemães estão cada vez menos dispostos a serem os pagadores de todas as asneiras que os estados membros fazem, ou a caixa de recursos universal sempre que é preciso dinheiro. Este retorno àquilo que os europeístas chamam de “egoísmo nacional” é algo de mais que normal numa Europa que é o fruto de um entendimento entre nações que ainda são soberanas (pelo menos a Alemanha ainda é), e que os fundadores da Europa conheciam bem e tinham em conta. Os seus sucessores, os des-fundadores da Europa, esses acham que basta a retórica europeísta, misturada com um certo chauvinismo gaulês anti-americano, para obrigar os outros a pagarem.
Acabado o ciclo em que a Alemanha ainda tinha que pagar reparações de guerra disfarçadas de “contribuições líquidas para a União”, havia que encontrar outras soluções e elas existiam, mais prudentes, mais modestas, mas mais sólidas. Mas esse não foi o caminho seguido pelos signatários impantes do Tratado de Lisboa e o resultado é que a crise grega arrastou-se sem glória europeia e sem solução. Os alemães ainda vão pagar, mas todos compreendem que a Europa não está a funcionar, e se tivermos em conta as proclamações hiper-optimistas à volta do Tratado, então não está a funcionar de todo.


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