Reportagem
Sermões por SMS e email
09-12-2009
Por Cláudia Reis
“Este ano, numa apresentação que fiz num encontro da Pastoral havia padres mais idosos que acharam mirabolante eu usar tantos meios tecnológicos para explicar ideias simples”. Um deles ficou tão surpreendido pelo facto do padre António Jorge conseguir comprimir a Bíblia num ficheiro digital que se levantou e disse: “É impossível, não posso mais, para mim chega!”
O padre António, de 36 anos, descobriu a grande utilidade da tecnologia durante a sua licenciatura em Roma As muitas caminhadas e viagens de autocarro em Itália levaram-no a aproveitar o tempo para ouvir a Bíblia falada no telemóvel. Ainda hoje o faz. “É uma forma de descontrair, mas também de reflectir sobre os textos sagrados e de formar ideias” - que desenvolve nas missas que celebra na paróquia de Viseu. Por vezes usa também o telemóvel para gravar notas ou pensamentos que mais tarde passa para os blogues em que escreve. Como diz, “para mim é tão natural falar num blogue como falar pessoalmente”.
O padre Carlos Cunha, 50 anos, também gosta de explorar as novas plataformas. No fim-de-semana passado, quando comemorou 25 anos de ordenação, os fiéis da sua paróquia ofereceram-lhe um PDA. "Agora vou ter de optimizá-lo”. Este padre, que celebra missas em Várzea de Lafões, perto de Viseu, considera que os novos meios tecnológicos são uma forma de aproximar as pessoas da Igreja. Por isso, todos os domingos, transmite a Eucaristia pela Internet e usa o email, telemóvel ou o
Skype para "falar" com os membros da sua comunidade.
Oiça em directo as transmissões da rádio Lafões
Ao contrário de muitos dos seus colegas, estes dois padres não pensam que é um pecado usar gadgets para passar a mensagem de Deus. Pelo contrário, como refere o padre Júlio Grangeia, 51 anos, pároco de Travassô (em Aveiro), “deve-se tirar cada vez mais partido da Internet”. É um meio onde a Igreja se pode apresentar de forma “light” com várias fotografias. Através dos vídeos que coloca no YouTube, o padre conta as histórias do dia-a-dia da sua paróquia.
“Eu faço tudo: corto os vídeos, monto e publico”, explica à SÁBADO. Àqueles que o criticam e dizem que “o padre não ajuda as pessoas por estar sempre na net”, Júlio Grangeia diz que "são desculpas de quem não tem nada para dizer". Foi precisamente por explorar a Internet que um crente, depois de o conhecer através do seu site, fez uma caminhada de mais de 100 quilómetros para se confessar pessoalmente com o padre sobre “os pecados que só quem anda na net sabe o que é”, contou à SÁBADO.
Veja o vídeo da celebração de uma missa do padre Júlio Grangeia
O padre Luís Francisco, 31 anos, padre na Igreja de Cantanhede, para além de utilizar o YouTube para divulgar actividades religiosas e missas, recorre ainda às redes sociais. A que chama de "novos púlpitos". Para ele, "comunicar com os fiéis é fundamental" e os novos meios proporcionam uma relação dinâmica entre o padre e a comunidade. Na missa utiliza ecrãs para projectar cânticos e lança frequentemente desafios aos fiéis: apaga as luzes da Igreja e um dia destes levou um GPS para a celebração para explicar às pessoas que as escolhas têm um caminho e que há oportunidade de ir por outras estradas. “Usei o GPS para explicar às pessoas que podemos mudar, mas também regressar ao nosso caminho”.
Oiça o sermão do padre Luís Francisco