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Descoberta: Porque é que os gatos são elegantes a beber

12-11-2010

Por André Barbosa

Um engenheiro português nos EUA descobre funcionamento da língua dos felinos domésticos, que é tão ágil como os tentáculos de um polvo

Esguios e enigmáticos – estes são, provavelmente, o dois adjectivos que melhor descrevem um gato. A isto junta-se a elegância, quando bebem leite e água. Até agora pouco se sabia sobre o funcionamento da sua língua, mas investigadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT), da Virgínia Tech e da Universidade do Princeton, nos EUA, entre os quais o engenheiro português Pedro Reis, conseguiram entendê-la melhor, até porque a usam com tanta rapidez que o olho humano não consegue captar o processo. "O gato consegue dar quatro lambidelas por segundo, enquanto o homem apenas consegue uma. E a velocidade é de um metro por segundo", explica à SÁBADO Pedro Reis, 32 anos, o único professor português no MIT.

Através de vídeos, durante três anos e meio, os investigadores perceberam que a superfície superior da língua dos felinos é, na realidade, a única parte que toca na água. Ao contrário dos cães, que a mergulham, numa espécie de colher invertida para sorverem o líquido, os gatos são mais subtis. A ponta da língua toca rapidamente o líquido e quando a retira, a água sobe até à boca em forma de coluna líquida e esta vai crescendo por inércia. De seguida, o gato fecha a boca para capturar o líquido antes que a gravidade interrompa esta coluna. O processo é diferente do dos cães mas acontece porque, ao contrário do homem, que tem bochechas, o gato, assim como outros carnívoros, não consegue aspirar líquidos. "Foi uma questão de evolução. Os carnívoros que têm de abrir demasiado a boca para devorar presas perderam a funcionalidade das bochechas e não têm poder de sucção".

Os cientistas descobriram assim que os felinos, quando bebem, desafiam duas forças físicas: a gravidade, que puxa o líquido de volta à taça e a inércia, que é a tendência da matéria em continuar a mover-se em determinada direcção a não ser que outra força interfira.

Estas não são as únicas descobertas do estudo agora publicado na revista Science Express: as línguas dos gatos são afinal tão agéis como a tromba do elefante, os tentáculos de um polvo ou as barbatanas de uma lula. "São músculos hidroestáticos, órgãos muito flexíveis com os quais podemos aprender para usar, por exemplo, na robótica", diz Pedro Reis. E quanto maior é o felino, como é o caso dos tigres ou leões, mais lentamente bebe.

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