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Reportagem

Torturadas pelos maridos

23-11-2014

Leia os testemunhos de vítimas de violência doméstica, que contam como escaparam ao inferno

Por Rita Garcia, com imagem de Alexandre Azevedo e edição de Daniel Pousada

Os primeiros gritos ouviram-se perto da 1h no 2º esquerdo de um prédio da Urbanização Encosta do Sol, em Soure, distrito de Coimbra. Nos últimos tempos, o casal costumava discutir, mas nada que se parecesse com o conflito da madrugada de segunda-feira, 20 de Outubro. Um vizinho aproximou-se da porta, quis saber o que se passava e os ânimos acalmaram. Mas uma hora depois a violência voltou. Quando os outros moradores chamaram ajuda, pouco antes da 1h30, já não foram a tempo de salvar Fernanda Ferreira, 47 anos, e a filha mais velha, de 16. As duas foram assassinadas à facada pelo marido e pai, respectivamente. A miúda mais nova, de 13, sobreviveu no limite, com três facadas profundas no tórax. O pai foi detido.

Na vizinhança, a família era tida como pacata: ele mais reservado do que ela, davam-se pouco com os outros. Mas nada fazia prever o cenário que GNR e Bombeiros encontraram. Depois de gritarem por ajuda durante algum tempo junto à porta de casa, trancada, a mãe e a filha mais velha deixaram de se ouvir. As autoridades encontraram-nas no chão, já sem vida. A mulher tinha facadas no peito, no abdómen, nos braços e nas pernas; a adolescente na barriga e no tórax. O silêncio da casa só era quebrado por sussurros vindos da sala: “Socorro... Socorro...”

Com o agressor preso no quarto, a terceira vítima foi socorrida. Tinha três golpes profundos no peito e um pulmão perfurado. Corria risco de vida. Os bombeiros taparam as feridas com compressas e levaram-na para a ambulância onde uma equipa médica do INEM a estabilizou e entubou. Entrou no Hospital Pediátrico de Coimbra para ser operada e, na terça¬-feira, estava a melhorar na Unidade de Cuidados Intensivos. O pai recebeu tratamento no Serviço de Observação dos Hospitais da Universidade de Coimbra, sob detenção. Teve alta na madrugada de terça e foi levado por agentes da Polícia Judiciária.

Além dele, só a filha mais nova poderá contar o que se passou naquela noite. A jovem terá de viver com a memória de ver o pai matar parte da família. Não é caso único. De acordo com o Observatório das Mulheres Assassinadas (OMA), até 30 de Setembro, 30 mulheres foram mortas num contexto de violência doméstica e 37 sobreviveram a tentativas de homicídio por parte dos maridos, namorados, companheiros ou familiares próximos. A SÁBADO conta-lhe a história de quatro vítimas que só não morreram por um triz.

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