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Prova cega: Prefere o prato congelado ou o da Filipa Vacondeus? (vídeo)

09-05-2012

Por Susana Lúcio

Aos 77 anos, Filipa Vacondeus não se atrapalha na cozinha. Liga a placa de indução ultramoderna do fogão e coloca um tacho com azeite, cebola e alho picados num dos focos. “Para o arroz de pato, prefiro usar o arroz agulha. Fica mais solto”, explica. A cozinheira e autora de vários livros de culinária não hesitou perante o desafio da SÁBADO: preparar dois pratos para serem comparados numa prova cega com refeições pré-cozinhadas e congeladas à venda nos supermercados.

A ideia até lhe agradou. “Muito bem. E quando é que vai ser isso? Só posso às quartas-feiras, nos outros dias estou na televisão”, disse ao telefone. Combinada a data, seleccionaram-se dois pratos tradicionais: feijoada e arroz de pato. “Não são os pratos que sei fazer melhor, mas não tenho receio de cozinhar seja para quem for e de que forma for”, garantiu.

Os preparativos não correram da melhor forma. Filipa Vacondeus quis cozer o pato e o feijão no dia anterior à prova cega, para não perder tanto tempo na cozinha, mas o feijão portou-se mal. “Ficou mole. Costumo comprá-lo na praça, mas não tive tempo e acabei por ir ao supermercado. Odiei o resultado”, queixou-se. Não ficaria pior do que a feijoada congelada, mas para descanso da cozinheira substituiu-se a feijoada por bacalhau com natas.

Filipa Vacondeus frita o arroz no refogado de azeite, cebola e alho, depois deixa-o cozer com o caldo onde cozinhou o pato. O seu arroz tem um segredo: “Cozo-o com cenoura, cebola, chouriço, louro e pimenta durante 45 minutos. Depois levo o pato, recheado com uma laranja, ao forno com cebolas aos quartos e cenoura.” Quando o arroz fica no ponto, Filipa desfia a carne e junta-lhe rodelas de chouriço e farinheira.

Segue-se o bacalhau com natas. Depois de cozido, o bacalhau é desfiado para uma frigideira e refogado em azeite, cebola em meias- -luas e alho esmagado. “Quem é que vem fazer a prova cega?”, pergunta a cozinheira, a mexer a cebola com uma colher. Os jurados eram dois: o humorista Rui Unas e o piloto de automóveis António Félix da Costa.

O molho bechamel está ao lume – e também tem um truque: leva meio copo da água da cozedura do bacalhau. A cozinheira verte o molho no bacalhau e junta as batatas fritas. Não usa batatas congeladas, para alegria dos 10 sobrinhos-netos. “Adoram as minhas batatas fritas. Dizem que não as comem tão boas em lado nenhum”, conta.

Os pratos de Filipa estão prontos para o forno. Os pré-cozinhados congelados também – há várias semanas. A embalagem do arroz de pato indica no verso que a refeição contém 20,5% de arroz estufado e 14,6% de pato, além de banha de porco, massa de pimentão e vários conservantes; a do bacalhau com natas inclui 35% de peixe (capturado no Atlântico Nordeste, diz no pacote) e é preparado com batata, cebola, leite, farinha, natas e alho-francês. Têm ambos um prazo de validade de um ano.

A primeira impressão não é boa. O arroz tem um tom acastanhado, cristais de gelo e seis rodelas de chouriço. Filipa junta-lhe mais algumas, “para disfarçar”. O bacalhau vai ser mais difícil de mascarar. Tem uma cor esverdeada e batatas tão pequenas que parecem grãos de milho. Pode ser que melhorem depois de irem ao forno.
Assim que os convidados chegam, as quatro travessas são colocadas lado a lado no balcão. “Vai ser um grande desafio”, diz o apresentador da SIC Radical. “É que às vezes o prato mais saboroso não é necessariamente o melhor.”

Primeiro o bacalhau com natas. “Este [o de Filipa] tem melhor aspecto e consigo distinguir as batatas e a cebola. Este parece mais uma pasta de bacalhau”, sentencia Rui Unas, de 38 anos. O piloto de automóveis tem outra opinião: “Gosto mais deste [do pré-cozinhado]. Sabe mais a bacalhau.” A cozinheira abana a cabeça. “Não é o seu? Talvez seja por estar mais salgado”, explica António Félix da Costa, de 20 anos. O piloto gosta de cozinhar. Mas, quando está sozinho, prefere as refeições pré-cozinhadas. “Faço um grande porco assado no forno. Quando os meus amigos lá vão a casa, pedem sempre o porco assado.”

No arroz de pato, a escolha é unânime: o de Filipa é melhor. “São completamente distintos. Este sabe a pato, este sabe a um animal que não consigo distinguir”, diz Rui Unas. O apresentador sabe do que fala: é especialista em carnes brancas. “Gosto muito de cozinhar frango, faço um bom frango com ananás e caju.”
Rui Unas aprendeu sozinho quando se casou, mas não dispensa o livro de receitas. “Ainda pergunto os truques à minha mãe.” Mas já tem fãs: “Os meus filhos gostam muito da minha comida.”

Agradecimento: Loja Comovar, Lisboa

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