Reportagem
Nos bastidores de um concerto d'Os Pontos Negros
02-06-2010
Por Sofia da Palma Rodrigues e imagem de Bruno Vaz
Pequeno Almoço Continental é o novo álbum da banda Pontos Negros e foi apresentado sexta-feira, dia 28, no auditório principal do cinema São Jorge.
O concerto só está marcado para as 21h30 mas, ao início da tarde, o auditório principal do cinema São Jorge já anda agitado. Filipe e Jónatas, guitarristas e vocalistas, e David, baterista, aguardam impacientes por Silas, o responsável pelas teclas, que teve de sair mais cedo do trabalho como designer de comunicação para acompanhar os outros três Pontos Negros, todos estudantes universitários.
Liga cabo, afina guitarra, sobe o volume da voz, baixa o volume da bateria. “Não, isto não está bem”, queixa-se Jónatas. Afinar voz e instrumentos no auditório do São Jorge revelou-se uma tarefa árdua. Temas como Denver, The Last Dinosaur, o genérico da série de desenhos animados, e Papel Principal de Adelaide Ferreira serviram de teste e ainda arrancaram algumas gargalhadas: “Lembram-se disto? Estas vêm mesmo do baú”, brincou Filipe Sousa.
Os Pontos Negros conhecem-se desde miúdos, quando faziam campos de férias juntos. A música surgiu por influência de amigos próximos como Samuel Úria, Tiago Guillul e David Pires. Todos músicos que começaram a tocar na cave da igreja Baptista de Queluz e se tornaram os rostos da editora Flor Caveira. “Somos baptistas, por isso, já nos conhecíamos há anos dos convívios que fazemos”, explica Jónatas Pires. A religião tem para os Os Pontos Negros grande influência no seu dia-a-dia: “Antes de entrarmos em palco, rezamos em conjunto e agradecemos por tudo. Aliás, fazemos isso todos os dias”, conta Filipe.
Duas horas antes de começar o concerto, o grupo diz que não está nervoso mas quando chega o momento de subir ao palco, Silas confessa: “Agora é que são elas”. Chegou a altura de servir o Pequeno Almoço Continental. Jónatas abraçou-se ao baterista David, que é também seu irmão, e pediu-lhe calma. “Se alguma coisa correr mal, olhamos um para o outro”, disse-lhe. Com Duro de Ouvir, a segunda música do alinhamento, os Os Pontos Negros cativaram a plateia: palmas, miúdas a gritar, jogos de cintura sensuais. Os ritmos pop-rock da banda arrancaram de tudo. Jónatas estava eléctrico. Abanava a cabeça com vigor, o movimento dos cabelos negros e encaracolados davam-lhe um ar de estrela rock. No final do tema, pegou na guitarra, chegou o mais perto do público que conseguiu, levantou um dos braços e disse: “Obrigado por estarem aqui, nós somos os Os Pontos Negros”.