Fogo Cruzado
Moita Flores: "Estou doente mas não estou a morrer"
10-08-2012
Entrevista de António José Vilela e Maria Henrique Espada. Imagem de Joana Mouta e edição de Bruno Vaz
Por indicação médica Moita Flores, presidente da Câmara de Santarém, deve fugir do stresse. Esta entrevista não deve ter ajudado, mas mostrou-se sempre bem-disposto. Emocionou-se e pediu para parar, mas só quando falou dos riscos da sua antiga profissão, polícia.
Suspendeu o mandato em Santarém e alegou motivos de saúde [tem divertículos nos intestinos] e compromissos literários. A saúde não o impede de cumprir as obrigações literárias ou de ser candidato em Oeiras?
Não é bem assim. Não anunciei que sou candidato. Não há nenhuma decisão.
Mas está disponível.
Claro, está a falar comigo, eu estou doente mas não estou a morrer. Padeço de um mal que é público, que não escondi nunca, e tenho indicação médica para estar tranquilo e quieto. Vivo num ambiente sem stresse há cerca de três semanas e estou francamente melhor. O facto de as notícias sobre Oeiras e de o convite que me fizeram – que é de Fevereiro/Março – terem surgido agora, só o ruído jornalístico o justifica. Não posso sacrificar os limites da minha saúde apenas porque a minha oposição acha que estou a fazer campanha em Oeiras, o que é falso.
Não é uma deserção de Santarém? Podia recandidatar-se, preferiu Oeiras e sai antes do fim do mandato.
Fui sempre, e escrevi-o, contra o excesso de mandatos. Um presidente de câmara não o deve ser mais de sete ou oito anos. E quando ganhei a última vez, com uma maioria absolutíssima, disse que era a última.
Parece previsível que não volte a Santarém. Porque é que não renunciou, em vez de suspender?
Porque não quero perder os meus direitos cívicos. Quem renunciar a um mandato perde condições de elegibilidade para outros lugares. Dediquei-me de alma e coração, fiz uma obra enorme e agora porque adoeci perco direitos?
Leia a entrevista completa na SÁBADO desta semana.