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PSD: Ameaças e desvios de dinheiro

25-11-2009

Texto e imagem de Vítor Matos

As guerras pelos pequenos poderes no PSD em Lisboa parecem episódios da série Os Sopranos. João Taveira, presidente da Junta de Freguesia de São Jorge de Arroios e actual presidente da Secção E do PSD – que apanha o eixo que vai da Mouraria à Praça do Chile –, acusa o seu ex-tesoureiro na junta, Rodrigo Neiva, de ter contratado marginais para lhe incendiarem a casa e lhe envenenarem os seus quatro pastores alemães. João Taveira denuncia o caso em declarações à SÁBADO – posteriormente resumidas numa entrevista em vídeo –, onde também responsabiliza o seu antigo colaborador de desvios de dinheiro na junta de freguesia na ordem dos 20 a 25 mil euros entre Janeiro e Julho deste ano, numa altura em que Rodrigo Neiva já não tinha cargos no executivo daquele órgão autárquico.
 
A história que a SÁBADO revela na edição desta semana fala ainda de outros casos estranhos na orla de influência da secção E: as actas da junta de freguesia de Arroios foram roubadas; as da Pena e do Socorro também desapareceram misteriosamente (Neiva afastou os presidentes destas duas juntas das listas do PSD). Mais coincidências invulgares: o carro do presidente da junta do Socorro foi incendiado em 2008; e uma carrinha da junta de Arroios já tinha ardido em 2007.
 
João Taveira diz que está em curso uma auditoria financeira às contas da junta de São Jorge de Arroios, que foi solicitada a pedido do anterior presidente da Assembleia de Freguesia, Américo Vitorino, também militante do PSD. “Farei a entrega de toda a documentação ao Ministério Público para avançar com uma acção criminal contra Rodrigo Neiva”, garante Taveira à SÁBADO. Depois de pedir a auditoria, Américo Vitorino também recebeu um papel com ameaças.
 
Segundo o presidente da junta e Arroios, Neiva fez despesas não autorizadas onde uma só factura de refeições chegava a ultrapassar os mil euros; passava recibos verdes sem conhecimento do executivo; e chegou a aumentar a sua própria avença na junta de 1250 para 1800 euros mensais. Acusa-o também de usar o carimbo com a sua assinatura para viabilizar as despesas, entrando na junta com uma chave obtida através de ameaças a uma funcionária.
 
Depois de ter sido tesoureiro da junta entre Julho de 2007 e Dezembro de 2008, Rodrigo Neiva passou a receber aqueles 1250 euros para dar assessoria de relações internacionais a um projecto de geminação entre a freguesia de Arroios e a Ilha do Príncipe, em São Tomé e Príncipe. O convite partiu do mesmo João Taveira que agora o acusa. Nessa época eram próximos.
 
Os membros da assembleia de freguesia do PCP falam, porém, falam num buraco financeiro na junta que pode estar “entre 80 mil euros e 200 mil euros”, diz Emília Palhinhas à SÁBADO. João Taveira nega.
 
Rodrigo Neiva, 29 anos, licenciado em relações internacionais, foi presidente da Secção E do PSD desde o início de 2006 até ao início deste mês. Já tinha sido líder da Juventude Social Democrata da mesma secção. Enquanto se manteve na estrutura, a secção quintuplicou de militantes através de um esquema de angariação massiva de inscritos: de 116 militantes com quotas pagas em 2002, a secção cresceu para 573 em 2008. Nas últimas eleições para a secção este mês, já com Neiva afastado, só havia de 142 militantes com quotas pagas. Votaram 66.
 
Contactado pela SÁBADO, Rodrigo Neiva desmente “categoricamente” todas as acusações (pode ouvir o áudio de reacção ao lado) e diz que vai processar João Taveira. “Eu não tinha capacidade para fazer aqueles gastos. Ele é que é o presidente da junta. Isto é uma vendetta política, fazendo de mim o bode expiatório do mandato dele”. Rodrigo Neiva relaciona as denúncias com as eleições para a distrital de Lisboa que se aproximam e que terão lugar no início de Dezembro. “A comissão política da secção uniu-se para me difamar”, afirma.
 
Quanto às alegadas ameaças, Rodrigo Neiva classifica-as como “assassinato de carácter político” e diz: “É totalmente louco. Que eu saiba, ele ainda tem a casa de pé e os cães vivos. Se não provar as alegações vai sujeitar-se a uma queixa-crime. É muito fácil acusar sem provas”.

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