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Reportagem

A SÁBADO nos motins

30-06-2011

Por Vítor Matos (enviado especial a Atenas)

Bum! Rebenta um petardo. Bum! Rebenta outro. Na parte de baixo da Praça Syntagma, em Atenas, os jovens “indignados” entram em confronto com a polícia. Atiram pedras, lançam cocktails molotov, queimam a esplanada da Public (o correspondente grego da FNAC), um carro arde. Bum! A polícia de choque lança mais bombas de gás lacrimogénio. “A polícia não nos vai tirar da praça”, garantia dias antes à SÁBADO um dos jovens acampados há um mês na zona mais nobre da capital da Grécia, em frente ao Parlamento. No fim do primeiro dia de confrontos havia 21 feridos e 10 detidos.

Nesta terça-feira de manhã, 28 de Junho, Atenas era uma cidade sitiada.
No primeiro dos dois dias da quarta greve geral em apenas um ano – em Portugal nunca houve tantas desde o 25 de Abril –, centenas de polícias de choque montaram guarda em volta da Praça Syntagma. Ainda não eram 10 da manhã quando os sindicalistas começaram a marchar em direcção ao Parlamento: cartazes, palavras de ordem, máscaras penduradas ao pescoço.

Às duas a tarde, ouvem-se rebentar os primeiros petardos de gás lacrimogénio. Havia fumo na parte de baixo da Praça. Era o sinal. Junto às grades perto do lugar onde os turistas costumam ver o tradicional render da guarda grega, os manifestantes começam a pôr máscaras na cara. O vento está de feição e vai começar a cheirar a químicos. Uns correm para longe da confusão, outros para o centro da acção. Todos os que são abordados pela SÁBADO recusam falar. Acabaram-se as simpatias. É a guerra. Uma sindicalista fotografada pela SÁBADO ameaça com o pau de uma bandeira. Rebentam mais petardos, a uns 50 metros.

A seguir é o caos. O gás mete-se pelas narinas. Arranha a garganta. Correm lágrimas involuntárias pelos olhos. A multidão começa a dispersar. Um sexagenário a sentir-se mal e é assistido. Gente corre pelas ruas adjacentes e continuam a ouvir-se petardos. A Praça Syntagma e os arredores estão envolvidos por uma neblina ácida. O Parlamento ainda não votou o pacote com as novas medidas de austeridade que aumentam impostos, reduzem mais os salários e aceleram as privatizações. Os gregos lutam nas ruas com a seguinte filosofia: eles, os políticos, que paguem as dívidas que são da responsabilidade deles. A maioria dos gregos, que está contra o resgate financeiro, age como se o resto do mundo não existisse ou como se não houvesse a percepção da derrocada que o País pode provocar no resto da zona euro.

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