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Na Catalunha nem todos torcem por Espanha (vídeo)

27-06-2012

Por Sofia da Palma Rodrigues, em Barcelona

Hoje é dia de Portugal-Espanha. De Ronaldo e Casillas, de João Pereira, Pepe e Coentrão contra Xavi, Iniesta e Fàbregas. Mal acordei, ainda não tinha aberto os olhos, e já estava a pensar nisto. Diria mesmo que me tenho dedicado a pensar em pouco mais desde quinta-feira passada. Cruzo-me com a minha colega de casa ao pequeno-almoço, daquelas de quem quando o FC Barcelona perde é melhor manter-se a uma distância de segurança razoável, e pergunto-lhe com um sorriso de escárnio (só para enervar o adversário):

“Então, e onde vais ver o jogo hoje?” “Ah, a mi me da igual...” “Igual, como igual?!? Tu és uma fanática por futebol!” “Eu sou catalã, não sou espanhola, nunca vejo os jogos de Espanha e se tiver a televisão ligada quando ganham, desligo. No Mundial fiquei contente por terem vencido porque estavam lá os jogadores do meu clube, hoje quero que se saiam bem pelo mesmo motivo e porque do outro lado estão Ronaldo e Pepe. Do mal, o menor.”

Pois, esqueci-me que para os catalães Cristiano Ronaldo é a encarnação moderna de Judas e Espanha uma espécie de Robin dos Bosques versão malvada. Defendem que a Catalunha é a região autónoma que mais riqueza produz e que, não se sentindo eles espanhóis, não vêem porque o seu património tem de ser partilhado com o resto do país.
 
Dizem que Espanha lhes roubou a independência política e económica e tenta, sempre que pode, aniquilar a sua cultura. Por uma selecção que não sentem sua, mesmo que o seja quase na totalidade, demonstram pouco mais do que desprezo. Num referendo informal sobre a independência da Catalunha (onde participaram 257 mil dos 1,4 milhões de catalães), realizado em Abril de 2011, 90% dos votantes mostraram ser a favor da separação DE Espanha.

Por isso, lhes “da igual”, por isso quando Espanha ganha não lançam petardos como acontece com o FC Barcelona - levando a crer que o fim do mundo poderá estar próximo. Um separatismo que não se sente apenas nas ruas mas também dentro das quatro linhas: os jogadores do Barça chamados à selecção chegaram a dobrar para dentro a parte superior das meias onde estava estampada a bandeira de Espanha - obrigando a Federação Espanhola a gravar o símbolo a meio da canela.

Nas ruas de Barcelona “no pasa nada”. Ou quase nada. Não há bandeiras amarelas e vermelhas penduradas nas janelas, e à excepção das capas de jornais que enfeitam as bancas e de uma meia-dúzia de placardes colocados à porta dos cafés, não há vestígios do duelo ibérico desta tarde.

A SÁBADO foi à procura dos amantes de futebol que não se deixaram contagiar pelo espírito anti-selecção que se vive em Barcelona. E até descobriu uma raridade: um catalão que rói as unhas quando Espanha joga e foi à Polónia gritar por Iniesta.

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