Curtas-metragens
Patrício Faísca: É algarvio, faz filmes premiados e trabalha num supermercado
14-11-2011
Por Raquel Lito
Patrício Faísca, 25 anos, é humilde no discurso, apesar de ter sido recentemente premiado por uma curta metragem, “O Comando”, que já passou em mostras de Praga, Londres e Nova Iorque. Não esconde que só fez o nono ano de escolaridade e que trabalha num supermercado gourmet, na zona de Almancil, a cumprir 40 horas semanais. Mas os domingos à tarde são sagrados: dedica-os ao cinema, na produtora que criou com 15 amigos de liceu há dez anos, a New Light Pictures (http://www.newlightpictures.net).
Foi através dela, num espírito de entreajuda, que conseguiu fazer a curta-metragem “O Comando”, de 10 minutos, a custo praticamente zero. Na verdade só gastou 27 euros para comprar ingredientes para sangue (uma receita secreta), envelopes e arame farpado. “O resto foram coisas emprestadas”, diz à SÁBADO, sem estar à espera que esta curta fosse premiada. Recebeu os prémios de Melhor Produção (Shortcutz Lisboa 2010) e de Melhor Filme Nacional (Festival de Cinema de Arouca), recebeu uma Menção Honrosa (Bragacine 2011) e foi nomeado para Melhor Direcção de Arte (Shortcutz Lisboa 2010).
As filmagens decorreram em Março de 2010, em Almancil, por falta de recursos, durante uma semana. Todos trabalharam como voluntários para contarem a história de um soldado que tem de entregar uma carta em período de guerra. “Foi um teste para a equipa melhorar”, diz.
Autodidacta, filmou com uma handcam da Sony, de mil euros. A iluminação e as lentes foram cedidas por um amigo fotógrafo. Outro amigo conseguiu construir uma grua por 250 euros. Há dez anos que faz filmes amadores, o primeiro inspirado no “Projecto Blair Witch” (1999), chamado “A Mata” e filmado em Almancil.
Até agora, tirando dois prémios de valor simbólico (de 250 e 300 euros), não recebeu mais incentivos. Nem sequer uma oportunidade de trabalhar em Lisboa. “Ainda não surgiu a oportunidade certa”