Mundo
Aldeias de cancro
02-08-2012
Huangjiawa, na província de Shandong, na China, é uma das aldeias com mais casos de cancro no estômago do mundo. A água dos rios e lagos da região está contaminada com toxinas originárias de uma fundição de alumínio que liberta partículas para o ar e que coloca em risco a saúde dos habitantes.
“Há 10 anos, a água era muito limpa, mais limpa do que a água canalizada que temos”, disse um dos habitantes da aldeia ao ‘Financial Times’.
Huangjiawa é apenas uma entre centenas de localidades chinesas onde o número de casos de cancro não pára de aumentar. O crescimento da indústria química está a contaminar grande parte dos lençóis de água potável do país.
“Se a situação continuar assim, estaremos condenados. As pessoas morrerão e o sistema de saúde será sobrecarregado com uma avalanche de doentes oncológicos”, explica ao mesmo jornal o activista ambiental Deng Fei.
De acordo com o Greenpeace East Asia, há 320 milhões de pessoas na China sem acesso a água potável e 190 milhões a ingerir água contaminada.
Em 2009, a activista Mariah Zhao visitou um agricultor numa aldeia cancerígena, na província de Jiangsu.
“Quando o vi, fiquei em choque. Estava deitado e respirava de forma ofegante. Tinha uma enorme cicatriz no estômago feita numa longa cirurgia. A família disse-me que o cancro nos intestinos tinha sido provocado pela água poluída da região”, disse Mariah ao jornal britânico ‘Daily Mail’.
No mês passado, as autoridades chinesas reconheceram a existência de “aldeias de cancro” graças ao aumento da produção e consumo de produtos químicos perigosos.
“Os produtos químicos estão a provocar graves casos de poluição da água e do ar”, lê-se no relatório oficial sobre o tema. O governo do país já prometeu tomar medidas para lidar com o problema.
Nos últimos meses, o número de alertas sobre a situação não tem parado de crescer e há cada vez mais detalhes sobre o tema nas redes sociais chinesas.