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Sangue para os destemidos das festas de Pamplona

09-07-2012

Uma perna esfacelada e mais quatro feridos foi o balanço da primeira largada de touros em Pamplona.

E até parece pouco, já que foram aos milhares os foliões destemidos que participaram nas seis largadas de touros nas ruas da cidade do norte de Espanha, em honra de São Firmino.

Vestidos de branco e com lenços vermelhos ao pescoço, como é tradição, os participantes atropelaram-se uns aos outros e muitos caíram pelo chão durante a alucinante corrida anual à frente dos touros, de manhã bem cedo e através de ruas escorregadias, ainda a acordar, até à praça de touros da cidade.

Um jovem ficou com a parte de cima da camisola presa ao corno de um touro, que abanou a cabeça até o atirar pelo ar, caindo a mais de um quilómetro... mas levantou-se rapidamente e fugiu.

O folião ferido foi entretanto levado para o hospital local, onde outros quatro receberam tratamentos para os seus golpes e contusões, de acordo com o porta-voz da Cruz Vermelha, Jose Aldaba.

A largada de touros das festas de São Firmino tornaram-se mundialmente famosas depois da publicação, em 1926, do romance de Ernest Hemingway, “Fiesta – O Sol Nasce Sempre”.

Mas as festas também são conhecidas no mundo inteiro graças às longas e animadas noites boémias que homenageiam o patrono da cidade.

Foliões embriagados enchem as ruas logo a partir do Chupinazo – provavelmente o foguete mais famoso do mundo – que estoira exactamente ao meio-dia de sábado, dando início ao celebrado festival.

No domingo, os grandes touros da ganadaria de Dolores Aguirre correram desde um retiro à entrada da cidade, onde passaram a noite, ao longo de um percurso de 850 metros até à praça, em dois minutos e 53 segundos, o que é bastante lento.

O último touro do grupo ficou desorientado ao longo do trajecto e só chegou à praça largos segundos depois dos primeiros. Uma vez na arena, semeou o pânico ao perseguir vários foliões, antes de ser toureado com capas e assim conduzido à segurança dos tapumes.

“Correr com os touros foi a melhor experiência por que passei, que adrenalina incrível!”, exclamou Mark Martinez, um estudante de Los Angales, Califórnia, a passar umas férias de dez dias em Espanha.

“Não conseguir tocar nos cornos, talvez tente de novo amanhã”, acrescentou, fazendo-se claramente esquecido de uma regra básica da secular “fiesta”, segundo a qual os participantes não devem, em caso algum, tocar nos cornos dos touros, que chegam a pesar 500 quilos.

“Espanha é diferente de tudo o que já conheci”, referiu Michael Arraztoa, de 25 anos, que veio de Bakersfield, Califórnia, mas cujo pai nasceu em Irurita, uma localidade relativamente próxima de Pamplona, onde está também a passar férias.

As corridas das 8 da manhã repetem-se diariamente até domingo, 14 de Julho, cada uma com transmissão directa na televisão espanhola. Depois, ao longo da tarde de cada dia, os mesmos touros enfrentam toureiros-matadores na praça da cidade.

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