Mundo
Os poderosos que fazem chichi na floresta
28-06-2012
Por Susana Lúcio
O ritual repete-se há 133 anos: alguns dos homens mais poderosos dos Estados Unidos juntam-se numa floresta de sequóias, na Califórnia, e sem inibições bebem cerveja e urinam nos troncos das árvores centenárias. O encontro chama-se Bohemian Grove e, durante duas semanas de Julho, junta os membros do mais exclusivo clube privado de homens do mundo, o Bohemian, e alguns convidados ilustres. O pouco que se sabe sobre o que lá se passa é resultado de raras indiscrições.
Cerca de 2.500 homens – há Presidentes dos Estados Unidos, executivos de petrolíferas e empresas militares e milionários – ocupam as cabanas de madeira espalhadas pelos 1.100 hectares de uma propriedade privada a 120 quilómetros de São Francisco. São na maioria brancos, conservadores e protestantes e à chegada recebem o programa do encontro: há peças de teatro, grandes jantares e palestras. Mas não se fala apenas de futilidades: foi aqui que, em 1942, nasceu o Projecto Manhattan, que construiu a bomba atómica.
Em 2008, o último ano da presidência de George W. Bush, os temas eram sombrios – América, Temos um Problema; O Futuro Não é o Que Costumava Ser.
Antes das palestras, há uma grande cerimónia, a Cremação da Preocupação. Os bohos, como se chamam uns aos outros, sentam-se no relvado junto a um lago artificial. À frente há um palco e a estátua de uma coruja – o símbolo do clube – com 12 metros de altura. Ao som de música apoteótica surgem homens vestidos com hábitos vermelhos a carregar um caixão. Lá dentro, segue um boneco de trapos, a Preocupação, que depois de ser exorcizado no altar junto à coruja é colocado num barco ao qual é lançado fogo. A cerimónia (descrita por um jornalista da 'Vanity Fair' que se infiltrou e que já foi filmada com câmara oculta) pretende dizer aos convidados que esqueçam os problemas e se divirtam.
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