Mundo
Brasil: 78 mortos em 5 dias com polícia em greve
06-02-2012
Por Domingos Grilo Serrinha (Correio da Manhã)
Este número de homicídios é nada menos que 129% acima do que o registado em igual período da semana anterior. De quarta até às 13h00 de domingo da semana passada, quando o policiamento era normal na capital da Bahia, ocorreram apenas 34 crimes de morte.
Além dos homicídios consumados, há dezenas de outros tentados, que deixaram grande número de feridos, alguns em estado grave. Largas dezenas de lojas e residências foram assaltadas, e grupos criminosos promoveram arrastões em vários pontos da cidade, levando o pânico aos habitantes.
Neste domingo, forças do Exército e da Força Nacional ergueram barreiras em diversos pontos estratégicos de Salvador e realizaram operações stop em outros locais, tentando mostrar a presença do estado e, além de tranquilizar a população, desmotivar criminosos da prática de outras acções. Mesmo assim, só este domingo, foram registados oito homicídios, quase o triplo dos registados no domingo passado.
Grande número de eventos públicos, nomeadamente espectáculos musicais e os tradicionais desfiles de bandas famosas que caracterizam o pré-Carnaval em Salvador, foram suspensos por falta de segurança. Mas, com uma forte presença de militares armados até aos dentes nas principais praias da cidade, habitantes locais e turistas puderam neste domingo divertir-se no primeiro dia de lazer desde o início da greve, lotando os areais e bares da orla.
POLÍCIAS QUE LIDERAM GREVE SÃO CAÇADOS EM SALVADOR
Os principais líderes da associação sindical da polícia do estado brasileiro da Bahia, que está em greve desde a passada quarta-feira reivindicando melhores salários e condições de trabalho, estão a ser caçados na capital estadual, Salvador. Militares do Exército e da Força Nacional enviados de outros estados, tentam neste domingo cumprir a decisão do Tribunal de Justiça da Bahia que, a pedido do governador do estado, Jaques Wagner, do Partido dos Trabalhadores, considerou a greve da polícia ilegal e decretou a prisão dos 12 principais líderes do movimento.
Um deles, o soldado Alvin dos Santos Silva, foi preso ao amanhecer deste domingo. Ironicamente, este era o único dirigente da associação sindical da polícia que não entrara em greve, e foi preso pelo seu próprio comandante, major Nilton Machado, de quem era auxiliar directo, ao apresentar-se para trabalhar na companhia de polícia ambiental, em Salvador.
O cumprimento dos outros 11 mandados de captura deve ser mais difícil, pois a maior parte dos líderes sindicais está refugiada desde quarta-feira dentro do palácio da Assembleia Legislativa da Bahia, no Centro Administrativo de Salvador e, se as tropas tentarem invadir o local, haverá um banho de sangue, pois os grevistas levaram o seu armamento para o parlamento. Mas os grevistas também não podem sair, tanto que o presidente da associação sindical, Marco Prisco, que é cardíaco e passou mal, não teve como procurar ajuda médica num hospital da cidade e foi socorrido por uma enfermeira.