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Ilha da morte no coração de Nova Iorque

05-02-2012

Por Daniel Vidal

Este é sem dúvida o local mais assustador de Nova Iorque – a ilha de North Brother. E encontra-se apenas a algumas centenas de metros do conhecido bairro do Bronx.

Foi criado em 1885 como um hospital para leprosos, à época discriminados por todos e habitualmente afastados da sociedade. As fotografias tiradas por Ian Ference mostram as condições em que viviam os que tinham o azar de ser recolhidos pelas autoridades sanitárias da cidade. Anos de degradação – desde 1963, ano em que foi encerrado – tornaram o local ainda mais assustador. Paredes que se desmoronam e escadas em caracol enferrujadas são invadidas pela natureza que cobre a ilha.

“É um dos locais mais importantes para visitar nos EUA, apesar da sua reputação sinistra”, revela Ference, que teve acesso privilegiado à ilha. Vigiada pela guarda-costeira, são poucos os que têm acesso ao antigo hospital.

Um dos poucos doentes que sobreviveu chegou a comparar o local com o famoso `Buraco Negro de Calcutá´ - uma masmorra indiana onde eram detidos os prisioneiros de guerra britânicos e que guarda histórias de absoluto terror: mortes por asfixia, esmagamento e calor.

Mais tarde, North Brother acolheu também toxicodependentes, que eram recolhidos para um tratamento de reabilitação forçado.

Foi também palco do maior desastre de Nova Iorque até aos atentados de 11 de Setembro. Um navio de passageiros que saía da ilha e transportava mulheres e crianças para uma ida à missa sofreu um incêndio – morreram 1021 pessoas.

“As pessoas eram colocadas em quarentena forçada. Sofriam de doenças infecciosas normalmente fatais, como a febre tifóide ou a febre amarela. Já os leprosos eram confinados em cabanas de madeira”, conta Ference.

As condições sanitárias em que viviam os milhares de imigrantes que, à época, chegavam aos EUA, propiciavam o aparecimento destas doenças.

“Muitos deles vinham parar a North Brother. E com a falta de comunicações, por vezes nunca mais conseguiam falar com a família. A estadia na ilha era normalmente uma sentença de morte, poucos regressavam”, explica o fotógrafo norte-americano.

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