Mundo
Václav Havel: o escritor revolucionário
19-12-2011
Por Daniel Vidal
Nasceu a 5 de Outubro de 1936 em Praga e foi a figura principal do nascimento da República Checa. Pelo meio, desempenhou um papel fulcral no afastamento da então Checoslováquia do bloco soviético. Faleceu este domingo durante o sono, vítima de cancro que o havia afastado da vida pública.
“Uma das figuras mais importantes do séc. XX”, nas palavras de Mário Soares, Havel foi um ícone multi-facetado.
Após a “Primavera de Praga” - uma série de reformas implementadas no final da 2ª Guerra Mundial com o objectivo de liberalizar e democratizar o país afastando o país do domínio soviético -, Havel notabilizou-se como um dos rostos da revolução que se seguiu.
Célebre escritor, tornou-se activista político após ser expulso do teatro onde trabalhava. Trabalhou também numa cervejaria, ao mesmo tempo que escrevia textos revolucionários.
Assumiu-se definitivamente como opositor ao regime através da co-autoria da `Carta 77´, um documento elaborado por dissidentes que denunciava as violações dos direitos humanos na comunista Checoslováquia. Os seus autores viriam a desempenhar um papel vital a partir de 1989, data da “Revolução de Veludo”.
A sua actividade política valeu-lhe inúmeros interrogatórios e detenções, a mais longa durou 5 anos, entre 1979 e 1984.
Em 1989, uma revolução sem violência (a “Revolução de Veludo”), protagonizada por movimentos estudantis e populares, que conseguiu afastar o Partido Comunista do poder, abriu caminho às primeiras eleições democráticas. Havel, líder do Fórum Cívico, assumiu-se como a alternativa mais viável para ocupar a presidência. Viria a solidificar a sua posição nas eleições de 1990.
Libertou milhares de prisioneiros políticos no seu primeiro acto oficial, mas viu-se incapaz de impedir a divisão da Checoslováquia. Rejeitou presidir o país durante o período de divisão, tendo-se demitido imediatamente após a declaração da independência do estado eslovaco.
Durante a sua vida, nunca deixou de escrever e produzir peças de teatro. Assumiu-se como um pensador, cultivando amizades no mundo político e promovendo iniciativas destinadas à evolução da sociedade. Era membro da Fundação Internacional para os Direitos Humanos e do Conselho Europeu para a Tolerância e Reconciliação.
No momento da sua morte, vários tributos foram feitos por personalidades mundiais, desde Barack Obama a Angela Merkel. “Deveria ter recebido um prémio Nobel da paz”, afirmou Lech Walesa, o responsável pela independência da Polónia.
Vaclav Havel faleceu durante o sono, na sua casa em Hrádeček, vítima de doença prolongada.
“Verdade e amor devem prevalecer sobre a mentira e o ódio”, era o seu lema.