EUA
Única filha de Estaline morre sozinha aos 85 anos
29-11-2011
A polémica rebentou em 1967, quando Svetlana Alliluyeva chegou a Nova Iorque, tentando fugir à União Soviética e ao pai, Joseph Estaline. Aos 41 anos trocou o comunismo pelo capitalismo, apesar de, na altura, dizer que não acreditava que existissem "capitalistas e comunistas, apenas bons e maus seres humanos".
Mais de 40 anos depois, Lana Peters (nome que adoptou quando se casou pela quarta vez com William Wesley Peters) morreu sozinha, num lar do estado do Wisconsin, no passado dia 22 de Novembro. Tinha 85 anos.
A única filha de Estaline nasceu a 28 de Fevereiro de 1926, fruto do segundo casamento do líder comunista. A mãe, Nadezhda Alliluyeva suicidou-se quando a criança tinha apenas seis anos e Lana e o irmão, Vasili, passaram a ser criados por amas e o pai raramente os visitava. Estaline também não tinha uma relação próxima com os outros dois filhos: Yakov Dzhugashvili (1911) foi criado por uma tia, na Geórgia, e Konstantin Kuzakov (1911) era fruto de uma relação ilegítima com uma empregada e foi obrigado a assinar um documento que o obrigava a mantar secreta a identidade do pai.
Em 2010, em entrevista ao 'Daily Mail, Svetlana descreveu Estaline como uma pessoa fria.
"Ele era um homem muito simples. Muito rude. Muito cruel. Não havia nada nele que fosse complicado. Ele amava-me e queria ter-me junto dele", disse Lana, referindo-se ao facto do pai nunca ter entendido a sua relação com Aleksei Kapler, o seu primeiro marido.
Ela tinha 17 anos quando os dois se conheceram. Ele era 22 anos mais velho, judeu e escritor. O casal teve um filho, Josef, mas Estaline descrevia Kapler como um "artista boémio" e enviou-o para um campo de trabalho na Sibéria por um período de 10 anos.
"Ele [Estaline] destruiu a minha vida. Prendeu e mandou para um campo de trabalho o homem que eu amava", lamentou Lana em 2010, quando já se movimentava com a ajuda de uma bengala e sofria de cancro do cólon.
"Onde quer que eu vá, aqui, na Suíça ou na Índia, em qualquer lugar. Na Austrália, numa ilha. Eu serei sempre prisioneira política do nome do meu pai", disse numa outra entrevista, ao 'Wisconsin State Journal'.
Em 1949, Svetlana terminou os estudos superiores, tendo depois uma breve carreira como professora e mais tarde como tradutora.
O segundo casamento da filha de Estaline foi com Yuri Zhadanov e a curta união deu origem a uma filha, Yekaterina. O terceiro marido foi Brijesh Singh, um comunista indiano.
Após enfurecer o pai com as suas relações polémicas e de pedir asilo político aos EUA, Svetlana escreveu, já depois de se instalar em Nova Iorque, vários livros que denunciavam as políticas do pai, incluindo o facto deste ter enviado milhares de pessoas para campos de trabalhos forçados. As obras renderam milhões.
Com William Wesley Peters, o seu quarto marido, teve outra filha, Olga. Pouco depois do casal se divorciar, em 1973, Lana Peters mudou-se para o Reino Unido durante dois anos, regressando depois à União Soviética para tentar reaproximar-se dos dois primeiros filhos - que deixou para trás quando fugiu para os EUA. Yekaterina e Josef nunca perdoaram a mãe.
Lana Peters regressou de vez aos EUA na década de 80 e escreveu mais três livros no Wisconsin, onde passou os últimos anos da sua vida longe dos filhos.
Olga, que agora se chama Chrese Evans, mora em Portland e não quis comentar a morte da mãe. Yekaterina mudou o nome para Katya e é cientista na Sibéria e Josef morreu em 2008.