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Neste lar só moram prostitutas

25-10-2010

Por Mariana Correia de Barros

Paola já tem 61 anos. Começou a prostituir-se aos 13. Colocava uns seios postiços, pintava a boca e os olhos para parecer mais velha e saía para a rua à procura de clientes. Trabalhou durante muito tempo num cabaré, sempre às escondidas dos filhos, mas nos últimos anos arranjou um novo lar que lhe permite continuar a ganhar algum dinheiro. Vive na Casa Xochiquetzal no bairro de Tepito, na Cidade do México, com 20 mulheres. Todas têm algo em comum: foram (ou ainda são) prostitutas e têm mais de 60 anos. Estes são os requisitos para pertencer ao grupo.

A Casa Xochiquetzal, que em português pode ser traduzida por casa das flores bonitas (o nome é uma homenagem à deusa asteca das mulheres e do amor, padroeira das prostitutas mexicanas), foi fundada em 2007 por Carmen Muñoz, também ela uma prostituta reformada.

Acredita-se que este tenha sido o primeiro retiro construído na América para prostitutas mais velhas e foi preciso o apoio de um político local para realizar o projecto. “Quando me deparei com o número de mulheres velhas deitadas nas ruas, soube que tinha de fazer alguma coisa”, contou Carmen à BBC, na altura em que abriu a casa. O objectivo não é reformá-las, mas mostrar que há outras formas de ganhar a vida, dando-lhes liberdade para escolher o próprio trabalho.

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