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A cidade dos abusadores sexuais

25-10-2010

Ao conduzir através de Broadview Park, um bairro com cerca de três quilómetros quadrados a sudoeste de Fort Lauderdale, Randy Young aponta para as casas de estuque, de piso térreo, que se vêem do lado de fora da janela, e depois concentra-se no computador portátil que está fixo ao tablier da carrinha Toyota.

O portátil está equipado com um sistema de GPS especial, que apresenta aquilo que parece ser um diagrama de Venn: círculos de cores codificadas que se sobrepõem (roxo para as escolas, amarelo para as creches e verde para os parques), marcando as áreas onde os criminosos sexuais não podem viver. Nos últimos meses, esses círculos têm-se expandido, à medida que a pequena comunidade, uma área autónoma de Broward County, delimitada pelas estradas Estadual 7 e Interestadual 595 e pela auto-estrada Florida Turnpike, tenta repelir novos e indesejados residentes. “Vê aquela casa? Foi onde albergámos 24 criminosos sexuais,” explica Young, apontando uma casa da Rua 22 SW. “Agora só lá estão cinco.”

Randy Young tem 53 anos e é um homem bronzeado, encorpado, de cabelo ralo e óculos rectangulares. Condenado em 2003 por um acto obsceno com um menor, gere um negócio a que chamou Habitat para Criminosos Sexuais. Traduzindo: arranja quartos para indivíduos condenados por crimes sexuais, sejam eles consumo de pornografia infantil, rapto ou violação. Ao todo, gere 20 casas e 30 apartamentos em sete condados do sul e centro da Florida.

Desde 2005 (quando Jessica Lunsford, de 9 anos, foi raptada, vítima de abusos sexuais e assassinada por um homem que vivia na casa ao lado), muitas administrações locais na Florida aumentaram as zonas-tampão que separam as áreas onde vivem os criminosos dos lugares com maior concentração de crianças.

A discussão sobre o que fazer com estes indivíduos, em liberdade condicional, generalizou-se a todos os estados. Ninguém quer viver perto deles, mas também ninguém sabe onde os colocar.“Toda a gente sugere que os ponham numa ilha,” diz Young. “Aposto que os que eu conheço diriam: ‘Onde é? Vou já para lá!’” (Clique na foto seguinte para continuar a ler)

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