Há festa no Martim Moniz
17-09-2009
A SÁBADO esteve nas festas de uma das zonas mais problemáticas da cidade. Veja a foto-reportagem e aprenda a cozinhar comida ucraniana ou a dançar como em Bollywood
Reportagem de Sofia da Palma Rodrigues, fotos de Marisa Cardoso e montagem de Joana Mouta
As fachadas dos prédios da praça do Martim Moniz estão cobertas de cartazes gigantes com fotografias dos habitantes do bairro. Indianos, paquistaneses, ucranianos, chineses e angolanos. “Olha mãe, aquele é o João, filho da Mara, não é?”, pergunta uma menina chinesa. O objectivo é esse mesmo: quem vive na zona tem de se sentir a estrela da festa. Olha à volta e, nas fachadas, encontra alguém igual a si.
As festas do Martim Moniz decorreram no fim-de-semana passado e trouxeram para uma das zonas mais problemáticas de cidade milhares de lisboetas. Sem medo. As actividades foram para todos, numa festa onde a regra se chamava “multiculturalismo”. Danças indianas e moldavas, workshops de comida indiana e ucraniana, fanfarras e passeios de olhos vendados.
No final, todos trocaram de casa. Africanos dançaram música indiana, ucranianos e moldavos cantaram em português, indianos balançaram-se ao som dos ritmos de Leste. Mas o patriotismo estava lá sempre. Quando se começaram a ouvir os primeiros acordes da fanfarra indiana, tocada por cinco músicos do país, a Rua da Palma encheu-se de paquistaneses e indianos que caminhavam ao ritmo dos batuques. É que a Índia estava mesmo ali - à porta de casa.