Operação Nariz Vermelho
Fotorreportagem: Médicos e palhaços
22-10-2009
A Operação Nariz Vermelho fez sete anos e a SÁBADO foi ao IPO de Lisboa ver como é que os doutores palhaços conseguem arrancar gargalhadas.
Reportagem de Sofia da Palma Rodrigues, fotos de Marisa Cardoso e montagem de Joana Mouta
André tem sete anos e está internado no Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa. Os seus dias não podiam ser mais rotineiros: acorda, come, muda de roupa e faz tratamentos. Sempre o mesmo. A excepção acontece às segundas e quartas-feiras, quando os doutores palhaços batem à porta do seu quarto.
“Parabéns, parabéns”. Palmas. Na quinta-feira passada, dia 15 de Outubro, comemorava-se um dia diferente. A Operação Nariz Vermelho – uma organização sem fins lucrativos que apoia crianças hospitalizadas - fez sete anos e o André, que tem cancro, não quis deixar de felicitar aqueles que, duas vezes por semana, o conseguem fazer sorrir.
Depois de falarem com as enfermeiras para se inteirarem do estado de saúde de cada doente, Mark Mekellburg e Valdemar Paca, ou o “Dr. Pipoca” e o “Dr. Chocapic”, vestem a sua respectiva personagem. “É impossível mantermos o mesmo ritmo durante o dia todo, por isso exageramos um pouco aquilo que somos. A mesma dupla trabalha junta durante cerca de três meses e a maior parte das coisas acontece de improviso. A maioria das vezes corre bem, outras nem por isso”, explica o Dr. Pipoca. A Operação Nariz Vermelho já actua em 13 hospitais, em Lisboa, Porto e Coimbra. E conta com 20 doutores palhaços – que são actores profissionais, pagos para alegrarem os dias às crianças internadas.
De bata branca, nariz vermelho e assobio sempre pronto, os doutores palhaços visitam todos os quartos onde brincam também com os enfermeiros, médicos e auxiliares. No final, todos se riem das suas piadas. “Mesmo para os pais das crianças acaba por ser um momento de escape, porque esquecem, por segundos, a razão pela qual estão aqui”, comenta uma enfermeira.
Em média, estão internadas na secção de pediatria do IPO de Lisboa cerca de 10 crianças. As mais novas são as que acham mais graça a estes doutores de nariz vermelho. Mariana e Hugo (nomes fictícios) têm 13 e 16 anos e não fazem nem um esforço para brincarem com o Dr. Pipoca e o Dr. Chocapic. São uma excepção. “Temos aqui doentes que estão na adolescência, uma fase de revolta natural. Agora acrescente-se a isto uma doença de saúde grave”, conclui uma enfermeira.