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Mango: O milionário que vendia roupa na rua

08-12-2010

Por Ana Taborda

Quando o Nirvana deixa o porto de Formentera, nas ilhas Baleares, em Espanha, o presidente da Mango sabe que não precisa de se preocupar. A bordo do veleiro de 53,5 metros de comprimento, com uma tripulação de 10 marinheiros, há um sofisticado sistema de telecomunicações com ecrãs, que lhe permite falar com os principais responsáveis da empresa e manter-se a par do que se passa no mundo financeiro – além da marca de roupa espanhola, Isak Andic tem 10 sociedades de investimento com 60% do património aplicado em dívida pública de Portugal, Espanha, Grécia e Itália. As reuniões de emergência também não são um problema: tem um avião privado sempre disponível.

Mas nunca fica muito tempo seguido no mar, mesmo que decida passar um ano a dar a volta ao mundo, como fez em 2009. A viagem foi organizada em etapas de três semanas: a cada 21 dias, o segundo espanhol mais rico do mundo, que duplicou o valor da fortuna no último ano (a revista Forbes avaliou--lhe o património em 3,6 mil milhões de euros), interrompia a viagem para trabalhar na sede da empresa, em Barcelona.
A primeira paragem do Nirvana foi nas Canárias – o dono da Mango não gosta de portos reservados às elites, como Saint-Tropez. Seguiram-se as Caraíbas, onde recebeu a visita dos três filhos, a Polinésia Francesa e a costa africana. No total, o ano sabático que ofereceu a si próprio custou 26,5 milhões de euros (25 milhões para comprar o barco e 1,5 milhões em despesas de viagem).

Mesmo em plena crise, continua fazer crescer a sua fortuna: na quinta-feira passada foi nomeado vice-presidente do Banco Sabadell (tem 5,42% do capital) e prevê que 2011 seja um dos melhores anos da Mango. A empresa vai abrir 550 lojas, um terço das quais na China e na Rússia – este ano inaugurou 400 novos espaços e cumpriu uma das metas do fundador: abrir mais de uma loja por dia. “Isto é como o Monopólio, temos de continuar a crescer. Queremos duplicar a dimensão da Mango dentro de quatro anos. Não estamos sequer a funcionar a 30% da nossa capacidade”, afirmou numa apresentação da PricewaterhouseCoopers. Se cumprir este objectivo, passa a ser a terceira maior empresa têxtil do mundo – fechou 2009 com 1.390 lojas, em mais de 100 países. (Clique na foto seguinte para continuar a ler)

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