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Villas Boas e Mourinho: Afinal até são diferentes

12-11-2010

Por André Cruz Martins

"Clone de Mourinho, eu? Quanto muito sou clone de Bobby Robson, pois tenho ascendência inglesa, o nariz grande e gosto de vinho!”, disse André Villas-Boas quando chegou ao FC Porto, em Junho. Quando janta fora, costuma pedir tintos alentejanos e do Douro. Um amigo seu confessou à SÁBADO: “Ele não é esquisito, come de tudo.” E não é forreta. Orlando, capitão da Académica de Coimbra, o clube de André Villas-Boas na época passada, na sua estreia como treinador, conta: “Era ele que promovia os almoços e jantares. E pagava muitas vezes as contas.” Os convívios realizavam-se nos restaurantes O Telheiro e Rui dos Leitões.

Um aspecto que o diferencia de José Mourinho, com quem Villas-Boas trabalhou no FC Porto, Chelsea e Inter de Milão. “O Mourinho raramente ia aos almoços e jantares. Gostava que os jogadores se reunissem, mas só ia em ocasiões de festa, como nas comemorações de títulos”, disse à SÁBADO Hugo Almeida, antigo jogador do FC Porto. E Mourinho não bebe vinho: só água e Coca-Cola.

Comparando os resultados dos dois treinadores no FC Porto, verifica-se que são iguais: Villas-Boas tem oito vitórias e um empate no campeonato, tal como Mourinho em 2003-04, quando foi campeão europeu. Se ganhar esta quinta-feira ao Besiktas, Villas-Boas será o melhor treinador do FC Porto em jogos europeus, com um recorde de seis vitórias seguidas. E se bater o Benfica (domingo) e depois o Portimonense, terá um arranque com mais pontos do que o melhor Mourinho.

Tanto Villas-Boas como Mourinho se preocupam em passar a informação aos jogadores de forma resumida, sem os cansar com vídeos longos. Rui Gonçalves, secretário-técnico da Académica, conta: “Villas-Boas é do melhor que há. É superinteligente e estuda tudo ao mais ínfimo pormenor.”

E às vezes até pede a opinião dos jogadores. “Perguntava-nos se nos sentíamos à vontade com os esquemas tácticos utilizados”, recorda à SÁBADO Pedrinho, da Académica.

Para Orlando, ele constrói uma relação próxima com os atletas: “Fala connosco de tudo, muitas vezes assuntos fora do futebol, revelando sempre interesse pelo que nos diz respeito.”

Miguel Pedro, avançado da Académica, viveu dias dramáticos no ano passado, quando perdeu os seus dois filhos, que nasceram prematuros (6 meses). Durante essa fase, Villas-Boas tentou sempre ajudar. “Foi o primeiro a ir em auxílio do Miguel Pedro. Foi ao hospital acompanhar a situação e colocou o Miguel em contacto com os melhores médicos, da sua confiança. E depois da tragédia tentou dar o máximo de apoio ao jogador”, contou à SÁBADO um atleta da Académica.

Mourinho também constrói uma relação muito próxima com os jogadores – em 2003, quando César Peixoto e Derlei tiveram lesões graves, até assistiu às operações –, mas não tem problemas em criticá-los em público. Ainda no ano passado, no Inter de Milão, disse de Balotelli: “Se alguém treina ao lado de Zanetti e Cambiasso e não consegue evoluir é porque só tem um neurónio!”

Villas-Boas dificilmente fará esse tipo de comentários, diz Orlando: “Quando um jogador falha, ele chama-o à atenção, mas normalmente não o faz de forma violenta, preferindo falar calmamente com o atleta, para que perceba onde errou. É sempre muito humano e compreensivo. Mas exige o máximo dos jogadores e nunca está satisfeito.”
Mourinho exterioriza mais as suas emoções durante os jogos. Quando o FC Porto eliminou o Manchester United, em 2004, festejou no relvado, de joelhos e com os braços no ar, como se fosse um jogador. No Chelsea, mandou calar os adeptos do Liverpool. E no Inter de Milão, quando eliminou o Barcelona nas meias-finais da última Liga dos Campeões correu mais de metade do Camp Nou a festejar, com gestos para as bancadas.

André Villas-Boas também é exuberante a festejar os golos. E em Guimarães, após o empate do FC Porto, na 7.ª jornada do campeonato, criticou o árbitro por um penálti que ninguém viu, acabando por ser expulso – mais tarde pediria desculpa, admitindo que se enganou. Até ao momento, a maior loucura foi “oferecer o casaco à Mancha Negra (claque da Académica) depois de um jogo difícil com o Leixões”, lembra Orlando.

Uma das diferenças essenciais entre Mourinho e Villas-Boas é a formação. Apesar de terem concluído os dois o curso de treinadores na Escócia, Mourinho fez o curso de Desporto no antigo Instituto Superior de Educação Física (ISEF), actual Faculdade de Motricidade Humana. Já Villas-Boas tem apenas o 12.º ano.

Nos tempos livres, Mourinho aproveita para ver jogos de futebol e passear com a família. Villas-Boas dedica-se a uma das suas grandes paixões: o automobilismo. Adora ver Fórmula 1 e provas de ralis e de todo-o-terreno na televisão. E até já foi ao Mónaco assistir ao Grande Prémio de Fórmula 1

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