Desporto
O passado violento do enfant-terrible
21-01-2010
Por Susana Lúcio
A relação entre Ricardo Sá Pinto e Liedson no balneário do Sporting nunca foi de amizade. O ego dos dois chocou quando jogavam sob as ordens do treinador José Peseiro na época de 2004/2005. Tudo começou no dia 13 de Fevereiro de 2005, no jogo contra o Rio Ave a contar para o campeonato e em que o clube leonino já vencia por uma bola.
Quando Sá Pinto foi travado em falta na grande área e o respectivo penalty foi marcado, o avançado português teimou que deveria ser ele a marcá-lo. Liedson, o então marcador oficial de penalties dos leões, ainda agarrou na bola, mas Sá Pinto roubou-lha, colocou-a na marca e rematou para o segundo golo da equipa. Liedson limitou-se a virar as costas e nem festejou com os colegas.
Agora, Sá Pinto perdeu as estribeiras quando depois do jogo entre o Sporting e o Mafra, Liedson defendeu o guarda-redes, Rui Partício, apupado pelos adeptos por ter dado um frango que levou ao terceiro golo da equipa saloia. Sá Pinto não concordou com a atitude do avançado e agrediu-o. Hoje demitiu-se e para o seu lugar, segundo a Lusa, a SAD do clube já indicou Salema Garção, que irá acumular a direcção com a actual função de team manager. Liedson sai do confronto com um processo disciplinar que não o impede de jogar.
O estilo agressivo de Sá Pinto marcou toda a sua carreira. É difícil esquecer a polémica do jogador na véspera da partida da Selecção Nacional contra a Irlanda, a 26 de Março de 1997, a esmurrar o então Seleccionador Nacional, Artur Jorge, seguindo depois para cima do treinador-adjunto Rui Águas. Tudo porque não tinha sido convocado para o jogo. Na altura, a Federação Portuguesa de Futebol castigou-o com um ano de suspensão e a FIFA alargou a sanção à competição internacional, impedindo-o de jogar no Real Sociedad, o clube basco que entretanto o contratara.
Em 2003, de regresso ao Sporting, voltou a ser suspenso (desta vez por 12 dias) por ter agredido o director-geral da SAD do Boavista, João Carlos Freitas, e o árbitro Lucílio Baptista no túnel do Estádio do Bessa.
Até o final da sua carreira ficou manchado pela sua impulsividade. Quando em Agosto de 2006 já tinha anunciado o abandono da modalidade, Sá Pinto foi expulso frente ao Naval por protestos e castigado por dois jogos.
Acabou a carreira profissional de 17 anos sentado na bancada.