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O Farmville agora dá mesmo cebolas
09-04-2012
Por Isabel Lacerda
É só arrastar os produtos que quiser para o seu pedaço de terra. Conforme a quantidade que escolher, a aplicação MyFarm.com.pt comunica-lhe os custos de produção e a data de colheita aproximada. Mas, ao contrário do que acontece no popular jogo do Facebook, o Farmville, tudo acontece na realidade.
No Instituto Politécnico de Beja, um dos cinco finalistas do curso de Agronomia envolvidos neste projecto tomará conta do seu terreno. Quando houver decisões a tomar, elas ficarão ao seu critério. “Por exemplo, se aparecerem ervas daninhas, a pessoa terá de decidir se quer que elas sejam arrancadas manualmente, com um sacho, ou com um herbicida”, explica Luís Luz, o professor coordenador do projecto.
Esta, como outras questões, não implica apenas usar ou não químicos. Decidir que o gestor do seu terreno deve arrancar as ervas à mão custa, obviamente, mais pontos. Os pontos são comprados para se poder jogar. Cada ponto são 10 cêntimos. O arrendamento mensal da parcela custa 250 pontos, ou seja, 25 euros. É o único custo fixo, todos os outros são variáveis, conforme o que se plantar e como decorra o cultivo. Mas no fim, sublinha Luís Luz, esses custos variáveis, que determinam o preço final dos produtos, “não vão ficar mais altos do que os preços cobrados pelos supermercados”. E foi a própria pessoa que decidiu tudo sobre o que a sua família acabará por comer.
Sim, é mesmo isso. Depois de colhidas, as verduras são entregues em casa, sem nenhum custo adicional. Em Abril haverá 16 opções, entre as quais alface, cenoura, cebola, nabo, feijão-verde, meloa, melão e melancia.
A ideia de adaptar o jogo à realidade surgiu numa sessão informal entre sete ou oito alunos de Agronomia e o professor, para discutirem possibilidades de negócio. Depois de conseguirem dois patrocínios, só falta ultimar o programa informático e fechar negociações com um outro patrocinador para a instalação de câmaras que permitirão aos utilizadores ver o seu terreno 24 horas por dia.
Mas em Abril o projecto arranca mesmo. Tem de ser, explica Luís Luz, “para não se perder a época óptima para a plantação”. Para já, só 20 pessoas de Beja podem entrar no jogo. Muitas outras estão em lista de espera. Daqui a um ano, depois de concluído o ciclo da plantação de Outono, o projecto tenciona alargar-se a Évora e à zona de Setúbal e Lisboa.