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As drogas que se vendem aos adolescentes

05-02-2013

Na semana em que a Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica (ASAE) visitou 44 smartshops e apreendeu 15.824 embalagens, vale a pena ler a reportagem que a SÁBADO publicou a 10 de Janeiro, com jovens que compravam e consumiam este tipo de substâncias.

A investigação da ASAE, que apreendeu produtos avaliados em cerca de 165 mil euros, surgiu depois de ter sido aberto um processo crime contra uma smartshop de Beja, onde terão sido compradas substâncias psicoativas consumidas por três adolescentes, entre os 13 e os 15 anos, que foram parar ao hospital.

Por Tânia Pereirinha, com Raquel Lito

São baratas e vendidas em lojas. A SÁBADO comprou algumas substâncias iguais à cocaína, LSD e ecstasy e falou com vários miúdos, entre os 14 e os 17 anos. Uns fumam, outros inalam, vários têm sementes alucionogénias em casa. Detalhe: nada disto é ilegal

O nome é sugestivo: Freemind, liberta a mente. Na Rua da Esperança, em Santos, um dos locais preferidos dos adolescentes lisboetas para fazerem noitadas, a loja está aberta todos os dias, até à meia-noite. A SÁBADO chegou por volta das 20h, na quinta-feira passada, dia 3. A lista de produtos disponíveis é extensa e visível desde o outro lado da rua: cogumelos mágicos, sementes de LSA, Salvia divinorum, calmantes e relaxantes, afrodisíacos, energéticos, cachimbos e bongos, mortalhas, chás e infusões. Lá dentro, também há os “fertilizantes para plantas”, “sais de banho” e “incensos de ervas” de que tanto se tem falado nos últimos dias, desde que o Governo anunciou a intenção de dar seguimento ao projecto apresentado pelo PSD para fechar, pelo menos temporariamente, as cerca de 40 smartshops do País.

Na verdade, esses “fertilizantes” e “incensos”, vendidos a preços que vão dos 4,5 euros aos 40 euros ou mais, não alimentam a terra nem perfumam a casa: são substitutos químicos – e legais – de drogas ilegais como cocaína, ecstasy, LSD e canábis. Mas não são vendidos dessa maneira: de acordo com o discurso oficial dos proprietários das lojas, os produtos não se destinam, de maneira nenhuma, ao consumo humano. Mais: afirmam que não têm nada a ver com as drogas vendidas por traficantes.

A tentativa de ocultar a realidade prossegue nas embalagens. No invólucro do “fertilizante” Charlie, por exemplo, há um anjo-diabo de sorriso maquiavélico, em vez de um tufo de relva bem verde – mas as instruções de utilização são dirigidas a pretensos jardineiros: “Utilize 0,5 g de fertilizante para plantas por metro quadrado ou 0,2 g no caso de a planta estar num vaso. Não exceder a dose à excepção de uso em plantas maiores. Não misturar com outros fertilizantes. Para uso exclusivamente em floricultura doméstica.” 

Carregue nas fotos seguintes para ler a reportagem na íntegra.

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