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Reportagem: As tácticas de quem adormece no trabalho

13-04-2011

Por Raquel Lito

Tanto sooooono! Se chegar ao fim deste artigo sem dar um único bocejo, está de parabéns. Provavelmente, não sabe o que significa adormecer no trabalho, escondido na casa de banho; desconhece o sacrifício de despertar após uns agradáveis minutos de sesta, ainda que leve e sobressaltada, em frente ao monitor; e nunca se deu ao trabalho de pesquisar as últimas invenções japonesas para encobrir trabalhadores dorminhocos – já ouviu falar dos autocolantes com o desenho de dois olhos abertos que permitem ao utilizador mantê-los fechados sem que ninguém perceba?

Se nunca passou por nada disto, jamais poderá compreender a mente dos sonolentos profissionais, que nunca foram apanhados. Luís, 31 anos, era um deles. Dependia daquela caminhada diária até à casa de banho do escritório, após as 13h, para se sentar no tampo da retrete e dormir 15 a 20 minutos. Fê-lo entre 2004 e 2005, como um ritual.

“Sempre me aconteceu e continua a acontecer – a seguir ao almoço, fico cheio de sono... Não sei explicar, é mais forte do que eu.” Acordava mais revigorado com a ajuda do despertador do telemóvel, que, felizmente, nunca falhou.
O seu sono nada tinha a ver com preguiça nem monotonia. Competente, este engenheiro informático estava a trabalhar numa empresa britânica em Newbury, 100 quilómetros a oeste de Londres, como integrador e administrador de sistemas. “Estava bastante motivado e gostava do que fazia. Simplesmente precisava de uma pequena pausa antes de atacar a tarde.”

Depois regressava ao open space, com 50 pessoas, despenteado e com a roupa amachucada. Por sorte, ninguém desconfiava do ritual, que terminou em 2005. Agora bebe mais café para não adormecer: “Vou-me aguentando.” Até porque nem todas as casas de banho se mantêm limpas, tornando-se menos atractivas para a sesta.
Há quem seja mais criativo. Cristina, 30 anos, editora, ficava sonolenta às sextas-feiras, após as saídas na noite anterior até às 6h – uma fase noctívaga que terminou há dois anos. Com a conivência dos colegas, fechava-se na casa de banho após o almoço, estendia a toalha das mãos no chão e dormitava encolhida durante 10 minutos, cronometrados pelo telemóvel. “Deitava-me porque uma vez adormeci com a cabeça junto ao lavatório e acordei com marcas na testa.”

Também descansava nos degraus das escadas, entre o quarto e o quinto andares, onde os funcionários fumavam. Mais arriscada era a sesta à secretária, porque a qualquer momento podia ser surpreendida pelo chefe. Cristina tapava os pés com uma manta e adormecia alguns minutos na cadeira reclinável. Por vezes, optava pelo cadeirão da entrada. Nunca foi apanhada porque os colegas a acordavam se vissem o chefe chegar.

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