Sociedade
Veiga Simão recorda Hermano Saraiva: “Não vale a pena lembrar as diferenças, mas antes prestar homenagem ao seu legado”
20-07-2012
Por: Marta Gonçalves Miranda
Como é que conheceu o José Hermano Saraiva?
José Veiga Simão era reitor da Universidade em Moçambique e foi nessa qualidade que conheci o Dr. José Hermano Saraiva, na altura ministro da educação.
Tinham uma relação de amizade?
Não, nunca tivemos grande ocasião para convivência. Eu entretanto vim de Moçambique em 1970, e o Doutor José Hermano Saraiva entretanto também foi nomeado embaixador do Brasil.
Depois de o José Hermano Saraiva deixar o Ministério da Educação, foi substituído pelo José Veiga. Como foi esse período de transição?
Foi uma transição natural. Não vale a pena lembrar as diferenças, mas antes prestar homenagem ao seu legado. Um exemplo da sua herança são por exemplo os seus programas de televisão. Eles descrevem e fazem reflexões sobre o nosso património histórico e cultural. E eu julgo que é essa imagem, essa imagem de um homem cheio de entusiasmo e de fé, que nos transmite um pouco do orgulho de ser-se português, que devemos recordar.
Educar as pessoas era algo importante para o Professor Hermano Saraiva?
A popularidade do Dr. José Hermano Saraiva é por demais evidente e julgo mesmo que muitos dos seus programas devem continuar a ser transmitidos para que os jovens aprendam lições que, independentemente do seu rigor histórico, são importantes. Tenho admiração pelo homem inteligente e arguto. Apesar das diferenças, o Dr. José Hermano Saraiva teve um contributo que se traduz em belas lições que devem figurar na história do povo português. Por isso mesmo, este ano o historiador foi homenageado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique. E o seu nome foi mencionado pelas pessoas das mais diversas ideologias político-partidárias, como por exemplo a Dra. Manuela Ferreira Leite. Porque independentemente das divergências ideológicas, a herança que deixou é muito importante.