Sociedade
Vítima
17-04-2012
Por Lucília Galha
O divórcio não acabou com os problemas do casal. Pelo contrário. Nos anos que se seguiram, a mulher teve de enfrentar a raiva do ex-marido. Ele interpôs todo o tipo de acções para lhe dificultar a vida: quis diminuir a pensão de alimentos da filha, de 7 anos, tentou alterar o sistema de visitas, mexeu nas férias e também não lhe deu autorização para levar a criança à Disneylândia em Paris. O caso, que aconteceu com um casal novo e foi acompanhado pelo advogado Alexandre Sousa Machado, é típico de um ex-marido vingativo. “Há homens que chateiam as ex-mulheres durante anos porque não aceitam o fim da relação”, descreve o advogado de Direito da Família e das Sucessões. “Por vezes, estes conflitos só terminam quando a criança atinge a maioridade.”
A explicação para este comportamento é quase sempre a mesma. “Há uma parte que ainda não se desvinculou da relação”, afirma Cláudia Morais à SÁBADO. A psicóloga e terapeuta familiar afirma que o divórcio é um processo que não envolve apenas o pedido e a saída oficial da relação:
“Também compreende o tempo anterior ao pedido e a aceitação de que a outra parte se quer separar.” Este processo demora em média dois anos, e são sobretudo as mulheres que tomam a iniciativa de terminar a relação (quando percebem que as coisas já não estão bem).
No livro The Intelligent Divorce: Dealing with Your (Impossible) Ex (Divórcio inteligente: como dialogar com o seu impossível ex), o psiquiatra infantil Mark Banschick identifica os quatro tipos de ex-maridos mais problemáticos: a vítima, o controlador ou autoritário, o narcisista e o vingativo. Veja se o seu ex encaixa nalguma destas categorias e antecipe o que pode acontecer.
A vítima
É o tipo de homem que se sente injustiçado com o divórcio e que usa os filhos para passar essa mensagem. “Aproveita o tempo que está com os filhos para fazer a cabeça deles contra a mãe, passando por coitadinho e responsabilizando a ex-mulher pelo fim da relação”, descreve Cláudia Morais. Para o advogado Alexandre Sousa Machado, o traço mais característico deste perfil – “muito frequente!”, ressalva – são as queixinhas. “Aparecem normalmente a queixar-se de que a mulher está doida ou que é destrambelhada e histérica.” Outra iniciativa típica é pedirem uma avaliação psiquiátrica da ex-mulher, por considerarem que não tem capacidade para cuidar dos filhos. “Requisitam essa avaliação e depois acrescentam: ‘Também estou disponível para ir se for preciso’”, diz o advogado.
Conselho. Controle a raiva e passe ao ex-marido a mensagem de que nenhum tipo de pressão vai resultar. “Se a mulher se mostra vulnerável aos ataques, atribui poder ao ex-marido. Não é uma boa solução”, diz a terapeuta familiar Cláudia Morais.
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