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As novas festas de sexo

03-01-2012

Por André Barbosa

Para a meia centena de mulheres e homens, o destino era secreto até à altura em que a limusina estacionou junto a um palacete, na zona de Sintra. Elas usavam vestido de cocktail, e eles fato escuro ou smoking, um dress code obrigatório – tinham também máscaras venezianas, que lhes ocultavam a identidade. Para garantir a total privacidade dos participantes, foi-lhes pedido à entrada que entregassem dispositivos de recolha de imagens, como telemóveis. Cada uma das pessoas, entre os 23 e os 39 anos, pagara dias antes 1.500 euros, preço que incluiu cocktails e refeições com ingredientes afrodisíacos, servidos por mordomos. O convívio, ao som de música clássica e à meia-luz, durou até às 17h, altura em que começou a sessão de sexo em grupo, num salão e em várias salas mais privadas, até de manhã.

“Todas as festas são extravagantes”, descreve uma responsável da Purília, a agência que organizou esta orgia, em Novembro, e que está já a preparar a próxima, a 31 de Março. E quase tudo é permitido, à excepção, por exemplo, de práticas sadomasoquistas. “Há muito o trio, casal e mulher, casal e homem, casais com casais e também um grande desejo em apenas ver e ser visto”, descreve.

A agência escolhe os participantes de acordo com o aspecto físico, a idade e o nível cultural e formação académica. No seu quadro de membros, há jornalistas e apresentadores de televisão, actores, actrizes e empresários. As festas de sexo acontecem em casas particulares, palacetes e suítes de hotéis (neste caso, é contratada uma decoradora para criar um ambiente sofisticado). As datas não são tornadas públicas e o pagamento é feito de forma discreta, para não haver rasto bancário.

A agência prepara-se para tornar estes encontros ainda mais exclusivos, com um novo conceito: a festa intimiss, que acontecerá no próximo ano. A ideia é levar a suítes de hotéis de luxo (em Lisboa, Cascais, Algarve ou Porto), um máximo de 12 participantes seleccionados que irão pagar entre 500 e 750 euros por seis horas. Esta agência vai ainda oferecer ciclos de cinema erótico nesses hotéis, na zona de Cascais e Sintra, um pretexto para “momentos de prazer com confidencialidade”. Estes encontros terão no máximo 15 participantes e o custo de acesso é de 350 euros. O primeiro acontece já a 28 de Janeiro.

Por todo o País, são organizadas festas sexuais exclusivas, onde para entrar é preciso ter dinheiro, os contactos certos ou o estatuto de celebridade. Embora a protecção da identidade dos envolvidos seja uma das características principais destes serviços, há orgias que são filmadas. “Os membros têm de dar a sua permissão por escrito e cada um tem depois acesso a uma cópia do filme, já editado”, explica uma organizadora.

No Verão, há festas em alto mar. A Purília aluga um iate por 3 mil euros e os custos totais podem chegar aos 15 mil euros. Outra agência de topo ao nível europeu e que opera também em Portugal tem o seu próprio iate para encontros sexuais em grupo, no Algarve e em Cascais. Os participantes pagam milhares de euros para entrar. “Este é um mundo muito complexo, onde participam directores de bancos, advogados e médicos que gastam fortunas nestas fantasias e depois apresentam facturas às empresas onde trabalham, como se fossem despesas de viagem, alojamento e jantares”, conta o proprietário dessa agência, que vive na Roménia.

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