Literatura
O caso da garrafa de Putin
23-08-2012
Carregue na foto seguinte para ler a segunda parte do conto.
A situação era no mínimo confusa, muito confusa. Havia quem falasse em crime, mesmo crime grave. Só o 'Correio da Manhã' já ia em quatro primeiras páginas, com títulos garrafais, o que, sejamos sinceros, no caso, tanto quanto era possível saber até então, era particularmente ajustado. Havia muita garrafa envolvida, cerveja, vinho, vodka e whisky, muito whisky. Enfim, as confusões do costume na nossa terra. Na chamada vida política e não só. Até porque também aparecia futebol no caso, ou não estivéssemos em Portugal.
Para o João, a história tinha começado com uma conversa com o Nuno numa simpática livraria da Rua de São Bento, a Palavra de Viajante, que também tem um agradável restaurante. Estavam ali na semana do Cáucaso, bom vinho branco da Geórgia e saborosos pratos regionais, em que se destacavam os crepes de carne, bem apetitosos.
O Nuno tinha dito ao João que tinha uma história para lhe contar. O João sugeriu ao Nuno que fossem até lá almoçar, era bem próximo da Assembleia da República, dava jeito. Então o Nuno contou ao João, com a prudência que se impunha, eram deputados de partidos opostos, o alvoroço que ia pelo seu grupo parlamentar. Havia por lá quem previsse já a queda do Governo. Um escândalo dos grandes que talvez até metesse uma cena violenta.
De acordo com a informação de que o Nuno dispunha, a história teria começado com o convite para uma deslocação da equipa do Boavista Futebol Clube a São Petersburgo, a antes famosa Leninegrado. Uma incursão futebolística para que tinham sido convidadas várias “personalidades”, também do universo da política.
A viagem foi um sucesso, o Boavista ganhou ao Zenit por 3-1. O convívio entre os convidados dos axadrezados não podia ter sido mais agradável e sempre regado, para os apreciadores, por boa vodka russa. Durante essa viagem, o relacionamento, até aí apenas cortês, entre o José Luís do PSD, a Ana do PS e o Pedro do PC tinha desembocado numa verdadeira fraternidade. A distância da Pátria às vezes ajuda. E, conversa puxa conversa, tinham descoberto o interesse comum pela pintura.
Primeiras pistas
O autor-mistério é deputado(a), casado(a), fuma, e vive em Lisboa.
Se acha que já sabe quem é, envie o seu palpite para leitores@sabado.cofina.pt ou publique-o na página da SÁBADO no Facebook. Os nomes mais votados serão divulgados na próxima edição da revista.