Marisqueira Ribas
ResumoO preço do marisco vivo (o único que interessa) tem vindo a descer por causa da crise. Para mais, a quantidade e qualidade têm aumentado. Para aprender a comer marisco, o Ribas da Ericeira é a melhor escola do ensino básico que há. Tal como no peixe, o melhor marisco é muitas vezes o mais barato. Por exemplo, comi lá quatro ferozes e gigantescas navalheiras, que pesavam mais de um quilo, por 30 euros. Também o percebe e o mexilhão da costa da Ericeira são saborosíssimos e baratos. Por essas bandas até há marisco que é de graça: os ouriços, por exemplo, que são oferecidos por pescadores amigos.
No Ribas, há quase sempre a variedade completa de mariscos da nossa costa, vivos e prontos a cozer. A honestidade e a competência do pessoal é absoluta. É o contrário das pseudomarisqueiras que abundam em Portugal, com aquários pindéricos e mariscos descongelados de proveniência duvidosa. No Ribas pode-se (e deve-se) agarrar os bichos e senti-los espernear antes de mandar fervê-los. Não é crueldade, é respeito.
Deveriam ser mais caros por causa dos cuidados que requerem – mas são sempre pelo menos 25% mais baratos do que nas piores marisqueiras de Lisboa e Cascais.
Durante uma semana de testes rigorosos, em que comi bruxas perfeitas e um arroz de mariscos vivos que mais parecia uma nuvem oceânica de prazer de olhos, boca e nariz, a grande estrela foi uma raríssima lavaganta ovada com três quilos e 700 gramas, capturada na véspera no mar da Ericeira e sem um único segundo de viveiro. Levou dois dias a comer e levará uma vida inteira a esquecer.
As marisqueiras como o Ribas ganham em ser frequentadas diariamente, para ver o que vai aparecendo e petiscar uma gracinha ou outra, para além de tirar partido da cerveja limpa e bem tirada. Condená-las aos dias de festa e de rebenta-carteira é uma tragédia e uma estupidez. Uma boa marisqueira é também uma bela cervejaria, um restaurante jeitoso e um simpático café.
O Ribas da Ericeira é o melhor exemplo possível dessa multifacetada magia.