Divórcio
As queixas feitas pelos filhos
30-04-2011
Por Susana Lúcio
Raiva, tristeza e medo. São essas as principais mensagens dos miúdos norte-americanos nos desenhos enviados para o site Postcards from Splitsville (postais da cidade do divórcio). Criado em 2007 por Kara Bishop, uma designer gráfica que dá apoio a crianças de pais divorciados, numa organização de voluntários, o site quer mostrar o que os filhos sentem depois da separação.
A ideia surgiu numa das sessões de terapia da Divorce Recovery, a organização de voluntários de Tucson, no Arizona. Kara Bishop trabalha com um grupo de crianças entre os 10 e os 12 anos. “Comecei quando o filho de um amigo foi acusado de ser traidor por querer passar tempo com o pai”, diz Kara Bishop à SÁBADO. Uma vez pediu aos miúdos para desenharem num papel o que sentiam em relação ao divórcio. Os desenhos impressionaram-na. Estava lá tudo. A raiva das discussões, a confusão por terem de escolher entre o pai ou a mãe e o medo de perderem um deles.
Para a psicóloga clínica Rita Ribeiro, a perda do afecto é o maior receio dos filhos nos divórcios. “No mais íntimo da criança está o medo de que os pais deixem de gostar dela. E esse medo pode manifestar-se de diferentes maneiras: medo do escuro, não querer ir para a escola, fazer chichi na cama.” Quando a separação não é consensual, os filhos podem sentir-se quase órfãos. Nenhuma criança reage bem a um divórcio. “No início é normal uma reacção adversa, mas, dependendo da atitude dos pais, as crianças devem conseguir ultrapassar e reorganizar-se em seis meses a um ano”, explica a psicóloga.
Os desenhos deram uma ideia a Kara Bishop. Fã do Post Secret, o site que publica postais com segredos, Kara pediu autorização ao seu criador e imaginou o Postcards from Splitsville. Este site disponibiliza uma cópia de um postal para imprimir e pede às crianças que não revelem o nome dos pais. Em breve os postais serão publicados num livro sobre as regras do divórcio. “Pedi aos miúdos que escrevessem aquilo que os pais podiam e não podiam fazer, e regras como ‘não me tornes um mensageiro’ e ‘não digas mal do meu pai’ aparecem sempre. Se ao menos conseguíssemos que os pais as cumprissem!”