22h43 - Os socialistas neste momento acabam de enviar um SMS a dizer: José Sócrates falará dentro de momentos. Cansada de esperar, a repórter da RTP senta-se no caixote do lixo junto aos elevadores.
22h40 - Com um ar cada vez mais rarefeito na cave do Altis, há um ambiente que se pode dizer de uma cerca asfixia.
22h38 - Um jovem da Juventude Socialista puxa pelo braço de Edite Estrela enquanto a conduz pela sala apinhada de gente ao mesmo tempo que faz gestos aos camaradas da Juventude Socialista para gritarem JS mas ninguém grita.
22h37 - No Hotel Altis, não acontece nada mas todas a gente transpira.
22h15 - Dois sinais de que Sócrates está a chegar: Pedro Silva Pereira já desceu e um técnico foi ao palco ajustar os dois espelhos do teleponto que projectarão o discurso do secretário-geral do PS. A sala está cheia, está um calor impossível e uma humidade incómoda. Muitos militantes entopem as escadas de acesso ao primeiro andar por não conseguirem entrar.
[ler mais]
21h59 - A sala está tão cheia que até os ministros e secretários de estado têm dificuldades em furar a multidão para ter lugar. José Sócrates apenas espera que Jerónimo de Sousa acabe de falar apra discursar aos militantes do PS. As bandeiras cor-de-rosa do PS estão no ar mas, na primeira fila junto ao palanco, alguns activistas levantam bem alto a bandeira do orgulho gay, esperando que Sócrates legalize o casamento homossexual na próxima legislatura.
21h40 - Enquanto a cave do Altis, cheia, espera por José Sócrates, vão descendo alguns notáveis do 12º andar como o ministro da Administração Interna, Rui Pereira. Miguel Vale de Almeida está junto ao elevador, donde irá sair José Sócrates, com a bandeira do movimento gay desfraldada.
21h37 - Quando a líder do PSD começou a discursar, uma das salas do Altis foi apupada. Logo depois, um militante grita: "Deixem ouvir a avózinha!". Manuela Ferreira Leite ouviu-se mal na sala do PS porque o som das várias televisões não estava sintonizada. Ao reconhecer a vitória do PS, a líder do PSD foi brindada pelos socialistas aos gritos a dizerem: "É verdade, é verdade". Se havia quem mandasse calar os camaradas, outros faziam à partes, sobre as imagens emitidas apenas a cerca de 300 metros do Hotel Altis, como "é só tios e tias para ali".
20h57 - Os militantes do PS na cave começam a gritar: "A luta continua! Cavaco para a rua!" No primeiro andar, os camaradas entusiasmam-se. Uma mulher ri-se e comenta em voz alta: "Ah, ah. Ele bem fez por isso..."
20h51 - No Hotel Altis, há uma sala onde três televisões, em três cantos, dominam atenções de militantes e dirigentes sobre o que está a dar nos três canais. Nessa sala, uma porta dá para um grande salão vazio. Ainda haverá baile esta noite?
20h29 - Acabou de chegar a primeira militante/manifestante ao Hotel Altis a gritar: "Ó PS do meu coração, ó jovens do meu País, ó PS do meu coração", sózinha em frente ao Altis, com três bandeiras do partido , só com as câmaras de televisão como público.
20h20 - Aquilo que se pode aprender em quatro meses: é verdade que o contexto é o oposto, mas a ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues desta vez não insultou os jornalistas quando entrou no Hotel Altis - como fez na noite da derrota do PS nas Europeias. Pelo sim, pelo não, só apareceu no Altis já depois de estar confirmada a vitória nas projecções. Desta vez, apenas disse, "venho só cumprimentar o sr. primeiro-ministro por esta vitória".
20h09 - O responsável pelas campanhas do PS, Vieira da Silva, subiu ao palanco para anunciar a vitória "clara e inequívoca", vestindo um fato de cor indefinida - entre o cinza e o castanho - calçando mocassins. Enquanto ouviam a assitência gritar "Viva o PS, viva o PS", o ainda ministro do trabalho, guiando-se apenas pelas projecções, disse que "esta vitória não pode ser diminuida por nenhum artifício, o que significa que o PS não assumirá que perdeu por ter perdido a maioria absoluta".
20h01 - Vieira da Silva prepara-se para falar num momento em que a sala rejubila em gritos "PS, PS, PS", quando são conhecidas as primeiras projecções. As três guinienses com que falámos há pouco são das mais animadas.
19h41 - Grandes gestival de lugares comuns no átrio do Hotel Altis. António Costa, presidente da Câmara de Lisboa e candidato nas eleições autárquicas, diz que "as autárquicas são diferentes das legislativas" e que não vai comentar projecções enquanto não houver resultados. Ao entrar, depois de ter sido interperlado pelo jornalista Reinaldo Serrano da SIC diz, com bom humor, a outro repórter: "mas você é diferente do Reinaldo Serrano? É que acabei de falar com ele".
19h24 - No átrio do Altis, três mulheres com vestes tradicionais africanas observam o movimento. Falámos em inglês, elas responderam em francês. Afinal, eram da Guiné-Bissau. Maria Manuela Embalu diz que veio ver as eleições porque é do PS. Vive em Portugal há 20 anos e está vestidas com cores garridas, como os muçulmanos na Guiné.
19h23 - Embora não queira comentar sequer a abstenção, António José Seguro, apontado repetidamente como um possível sucessor de José Sócrates, diz apenas: "Estou muito satisfeito e muito contente, ou então, estou muito contente e muito satisfeito.
19h21 - Os dirigentes do PS têm de passar por duas barreiras de jornalistas: a primeira, no exterior do hotel, a segunda, no átrio do Altis, onde repetem o que disseram na rua. No caso do ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, ainda teve de repetir uma terceira vez para um directo da RTP, sob o olhar do socialista Armando Vara, administrador do BCP. Silva Pereira comentou as projecções da abstenção que estão entre os 38% e os 43%. O ministro diz que é preciso cautela na análise destes dados porque há mais eleitores inscritos do que em 2005 e alguma desconformidade nos cadernos eleitorias: "É preciso olhar para o número total de votantes".
19h05 - Muito discreta, Carolina Patrocínio chegou ao Hotel Altis. Em silêncio, subiu ao 12º andar. Vão chegando ministros como Mário Lino e Severiano Teixeira. O ambiente continua calmo.
18h50 - José Sócrates acaba de chegar ao Hotel Altis, de fato negro e gravata encarnada - que poderá indicar uma necessidade de coligação à esquerda -, completamente submergido por repórteres de imagem. À sua frente, seguia Maria Rui, sua ex-assessora de imprensa. Parou no elevador mas este seguiu sem que Sócrates conseguisse entrar. Esperou pelo próximo elevador, entrou com José Lelo e Viueira da Silva, que ficou entalado nas portas, e subiu para o 12º andar.
18h25 - Continua calmo o ambiente à porta do Hotel Altis, onde há mais jornalistas do que militantes socialistas. Já estão montadas três gruas para as televisões em frente do hotel.